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Preparo do solo: a operação fundamental que antecede o plantio

29/07/2020 Colunista POR: * Profa. dra. Carla Segatto Strini Paixão Voltarelli - Coordenadora do curso de graduação de Engenharia Agronômica - Centro Universitário Facens

Escarificador X Subsolador: disputa entre gigantes

Todo produtor, depois de um plantio de cana-de-açúcar ou outra cultura, quer quebrar a camada compactada, não é mesmo? Mas você realmente sabe qual implemento usar? Se respondeu subsolador, acertou! Mas e o escarificador, qual a função desse equipamento, então? Ou melhor, qual a diferença entre os dois? Vamos conhecer?

As preocupações dos agricultores da atualidade não têm sido muito diferentes daquelas que tinham os homens que iniciaram a semeadura da cevada, trigo e milho, quando deixaram de ser nômades. Hoje, a compactação do solo, devido à ação do homem em decorrência da utilização e preparo intensivos do solo agrícola, valendo-se de máquinas, implementos e tratores cada vez maiores e mais pesados e, considerando-se a intensificação da migração das partículas do solo devido a sua mobilização, tem gerado graves problemas na agricultura moderna.

Muitos agricultores recorrem a soluções práticas como o emprego de arado, grade e enxada rotativa, que resolvem o problema da compactação do solo nas camadas superficiais, porém, na maioria dos casos, transferem a compactação para camadas mais profundas. E a consequência dessa utilização, quase sempre a  mesma profundidade de preparo do solo e por diversos anos consecutivos tem contribuído para o surgimento das camadas compactadas logo abaixo da linha de ação dos órgãos ativos das mesmas, sendo denominada de compactação subsuperficial (conhecida também como soleira, pé de arado ou pé de grade).

Função

O escarificador tem o mesmo princípio de rompimento do solo por propagação das trincas, ou seja, o solo não é cortado como na aração ou gradagem, e sim rompido nas suas linhas. Desta forma, ambos os equipamentos utilizam hastes que são cravadas no solo e provocam o seu rompimento para frente, para cima e para os lados.

É o chamado rompimento tridimensional do solo em blocos, o que permite dizer que este tipo de mobilização é menos agressivo do que aqueles nos quais as lâminas cortam o solo de forma indiscriminada e contínua, destruindo sua estrutura original.

Na agricultura moderna, os escarificadores vêm substituindo com grandes vantagens os arados e grades e, em muitas regiões, estes passaram a fazer parte do passado histórico da agricultura. As diferenças entre os subsoladores e os escarificadores são conceituais e funcionais, ou seja, o primeiro tem a função básica de romper camadas compactadas do solo e o segundo de preparar o solo.

Alguns autores separam a operação da subsolagem da escarificação, por meio da profundidade de trabalho. Para profundidades entre 5 e 15 cm tem-se a escarificação leve; para valores de 15 a 35 cm, a escarificação profunda e para profundidades maiores que 35 cm, tem-se a subsolagem (podendo chegar à profundidade de até 1,0 m).

Os escarificadores são implementos agrícolas de hastes robustas, contendo ponteiras, presas a um chassi de duas ou três barras que revolvem pouco o solo, sem destruir seus agregados. São equipamentos de uso relativamente recente entre os agricultores, que, entretanto, vêm apresentando sucesso junto aqueles que se preocupam em elevar a produtividade, evitando ao mesmo tempo a compactação do solo e a erosão.

Fica a dica!

Muitos produtores têm dúvida na questão da profundidade, pois já que um subsolador atinge maiores profundidade, não é melhor sempre utilizar ele?

A primeira característica a considerar, antes de se optar pela subsolagem de uma área agrícola, é que esta é uma operação de alto consumo energético, provavelmente o maior dentre as operações agrícolas. Portanto, somente devem ser mobilizados os solos que realmente necessitem desse trabalho, sendo que a profundidade de subsolagem deve ser compatível com a faixa compactada do solo. Levantamentos iniciais sobre o tipo de solo e suas condições (densidade, resistência mecânica à penetração, teor de água e profundidade da camada compactada) são de extrema importância para a tomada de decisão.

Deve-se observar também que, apesar de onerosa, a operação de rompimento das camadas compactadas do solo, quando não realizada, representa uma sensível diminuição da produção para a maioria das culturas comerciais, gerando prejuízo para os agricultores. Nestas situações, a utilização dessa técnica se torna necessária e a seleção adequada do equipamento pode representar sensíveis economias.