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Primavera seca

12/03/2020 Cana-de-Açúcar POR: Marino Guerra
Primavera seca O RTV da filial de Paulo de Faria da Copercana, Bruno Borges, ao lado do produtor, Norio Nomiyama Júnior. Diante de tantos obstáculos, a produção chega aos três dígitos, em média

Produtor de Orindiúva muda manejo em razão da estiagem

Quando se usa o termo “a última estiagem do setor”, a grande maioria dos leitores, principalmente os produtores que investiram em soja ou amendoim como rotação, irá  remeter sua memória para o mês de janeiro de 2019, devido às grandes consequências do período.

Todavia, em alguns casos, especialmente para quem entrega cana no fim de safra, o atraso das águas da última primavera gerou sérios comprometimentos.

Foi o caso do produtor Norio Nomiyama Júnior, que há três anos, ao lado do pai, toca uma operação canavieira com sede na região de Orindiúva.

Ele conta que a chuva chegou regularmente somente no mês de dezembro, gerando problemas na rebrota de soqueiras em talhões de sexto corte, obrigando-o a antecipar a reforma.

Outra dificuldade encontrada foi quanto à estratégia de uso de herbicidas, a qual nas canas colhidas próximas do fim da safra estava prevista a aplicação de moléculas com atuação em pré-emergência, até pela proximidade da estação das águas, logo após a colheita.

Com o veranico não seria possível ativar a ferramenta, então, o produtor conta que precisou, às pressas, remontar sua estratégia com produtos seletivos. Porém, o estrago já estava feito, pois como a seca também ocasionou déficit no crescimento da cultura, o canavial demorou um tempo maior para fechar, gerando luz suficiente para as invasoras crescerem.

Segundo Nomiyama, as daninhas que mais se aproveitaram da situação foram o capim-colonião, a mamona e a mucuna.

O produtor também aponta que a condição climática foi benéfica para elevar a infestação do migdolus, praga que já vinha em crescimento na região e a estratégia de combate é baseada na execução de uma barreira química no plantio e controle através do corte de soqueira.

Para amenizar os problemas desse cenário foi realizada a aplicação foliar com o uso de macros, micros e bioestimulantes, prática já utilizada na fazenda depois que testes mostraram o canavial de primeiro corte produzindo acima de talhões com cana-planta que não haviam recebido a adubação.

Tanto para a aplicação de herbicidas como na adubação foliar, o agricultor lamenta o fato de não poder contar com um autopropelido para realizar as aplicações em área total. Contudo, a falta da máquina se deu, pois preferiu concentrar o investimento na aquisição de uma colhedora, o que lhe trará o benefício de ter o controle absoluto sobre a data e a qualidade do corte, o que ganha importância ao observar o fato dele entregar cana o ano todo.

Uma segunda frente de crescimento é em área, a qual ele conta que seu canavial dobrou em decorrência de um acordo com a usina, e assumiu um bloco de repasse. O mix entre a área própria e de parceria está em 30% a 70%.

Seu plantio de 200 hectares nessa temporada será feito quase que na totalidade pelo sistema de meiosi. As linhas-mães vieram de uma cantosi plantada com mudas vindas de MPB e meristema.

Um dos canavieiros mais experientes da região, Nomiyama aliou sua experiência com o conhecimento e a capacidade de entendimento de novas tecnologias adotadas pelo seu filho

Entraram no planejamento varietal como precoces as RB855453, RB966928 e RB975952. Já pensando no corte de meio para o final de safra, as escolhidas foram RB975201 e IACSP95-5094.

Todo esse trabalho está acontecendo através de um processo de sucessão que teve início há três anos, quando seu filho, Norio, deixou o trabalho numa multinacional do segmento de defensivos para aliar seu conhecimento tecnológico e acadêmico com a experiência do pai e, assim, conseguir crescer, tanto na vertical, para juntos chegarem aos três dígitos de peso por hectare, como na horizontal, com o ganho de área já citado anteriormente.

Além do desenvolvimento na roça, a vinda de Norio à fazenda trouxe também uma evolução na gestão do negócio. O agrônomo conta que no início chegou a dedicar a maior parte do seu tempo na implementação de um sistema de controle financeiro, principalmente com foco na identificação dos custos.

Para finalizar, o produtor faz questão de explicar que outra virtude da operação está na execução de muitos campos de testes para identificar as tecnologias que mais se adaptam ao seu ambiente, e que a presença da Copercana na região, representada pela filial de Paulo de Faria, trouxe facilidades para a adoção das mesmas, principalmente ao observar a assistência feita pelo RTV, Bruno Borges Silva, e a disponibilidade dos produtos, sendo alguns encontrados até mesmo à pronta-entrega.