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Produtor tem dificuldade para ampliar cultivo da cana – Coplacana

17/09/2012 Cana-de-Açúcar POR: Reuters
Os produtores brasileiros enfrentam um cenário adverso para expandir o cultivo de cana necessário para atender à indústria, por conta das dificuldades para quitar dívidas de empréstimos anteriores, e da restrição para contratação de novas linhas de crédito, disse nesta sexta-feira o presidente da principal cooperativa do centro-sul.

"Vemos à frente um cenário bastante temeroso... Nós sabemos que o Brasil tem que crescer e vai crescer, mas o produtor não está nesta mesma velocidade da indústria, especialmente das grandes usinas, que não dependem de financiamento para expandir", disse Arnaldo Bortoletto, presidente da Coplacana, em debate que reuniu representantes do setor na Esalq/USP.

Os mais de nove mil associados da Coplacana cultivam uma área equivalente a quatro milhões de hectares, ou quase metade dos 8,2 milhões de hectares cobertos com cana no Brasil nesta temporada, distribuídos por São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.

Bortoletto diverge do cenário apresentado pelo vice-presidente de operações da ETH Bioenergia durante o evento, que traça um cenário otimista para o setor sucroenergético no longo prazo, estimando uma demanda por etanol não atendida da ordem de 10 bilhões de litros, o que vem levando a Petrobras a importar gasolina para cobrir o déficit.

O desafio, segundo ele, é ter uma oferta maior de cana neste cenário em que produtores e usinas independentes, diferentemente dos grandes grupos, têm dificuldade para obter o crédito necessário para financiar a expansão do cultivo da cana para atender à demanda das indústrias que eventualmente planejem aumentar a capacidade de produção.

"Estamos atravessando dificuldades já há três anos, porque esse pessoal (usinas) também quis crescer.... Nós tínhamos aí mais de 400 usinas, mas hoje uns 30 por cento delas sofrem com insolvência ou recuperação judicial e algumas podem até fechar as portas", observou Bortoletto, acrescentando que estas usinas se endividaram de olho na expansão do mercado interno.

Atualmente, a capacidade de moagem do país é de 700 milhões de toneladas de cana, mas a produção estimada no centro-sul, que reúne os principais Estados produtores, é de 509 milhões de toneladas, segundo levantamento mais recente da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica).

O vice-presidente da ETH Bionergia, Luis Felli, disse que o desafio do governo de Dilma Rousseff é manter uma política pública voltada para o setor. "É importante ter uma política de consistência para não ter picos e vales nos investimentos do setor de cana", disse o executivo.
Mais cedo, em entrevista à Reuters, Felli traçou um cenário otimista para o setor de etanol, cuja demanda segue em alta por conta dos carros flex fuel.

Questionado sobre as ações do governo para estimular o setor, o presidente da Coplacana disse que nenhum dos associados da cooperativa teve acesso ao chamado Prorenova, programa do BNDES destinado ao incremento da produção de cana, por meio de financiamento para renovar ou implantar novos canaviais.

"O Prorenova trazia muitas exigências, era burocrático demais... se somasse todos os custos com documentação a taxa ao produtor (de cana) acabava ficando muito alta. Este programa está em discussão no governo", disse Bortoletto.

Mas ele ressaltou que o novo programa do BNDES destinado ao investimento em maquinário tem tido mais procura entre seus associados. "Começou faz pouco tempo, mas já tem ao menos 15 produtores interessados", disse.