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Produtores agora querem receber por energia gerada da palha da cana

27/11/2015 Cana-de-Açúcar POR: Folha de São Paulo
Em meio a uma tímida retomada do setor sucroenergético, produtores canavieiros rurais agora querem receber das usinas uma remuneração pela geração de energia elétrica obtida por meio da queima do bagaço da cana-de-açúcar.
O tema já era discutido internamente por produtores nos últimos anos, mas a crise do setor impedia o avanço das conversas. Agora, no entanto, será levado a público num seminário nesta quinta-feira (26) em Sertãozinho —cidade do interior paulista que tem economia totalmente voltada à indústria canavieira.
O objetivo é discutir a viabilidade de incluir essa remuneração no pagamento aos produtores e, também, saber quanto vale o bagaço de cana.
Embora tenha vivida um momento melhor, graças ao aumento da Cide cobrada na gasolina, que deixou o etanol mais competitivo, o setor ainda tem dificuldades em vista. Tem dívida acumulada de R$ 80 bilhões, mais que uma safra global inteira (estimada em R$ 65 bilhões) e viu 60 usinas paralisarem as atividades e 300 mil empregos serem perdidos desde 2008.
Houve ainda outras mudanças tributárias que favoreceram o etanol. Em Minas, por exemplo, o governo reduziu o ICMS do álcool, o que fez o setor ganhar novo fôlego neste ano. Graças a isso, fala-se inclusive de uma possível retomada dos investimentos na área.
O setor comemorou, na semana passada, os 40 anos do Proálcool.
Para Manoel Ortolan, presidente da Canaoeste (associação dos plantadores de cana do Oeste de SP) e da Orplana (organização dos plantadores do centro-sul), os produtores decidiram lutar pela remuneração da biomassa por entenderem que "já há um grande número de unidades de cogeração e outras que não cogeram, mas vendem o bagaço para outras empresas".
"Queremos entender melhor as questões relativas à biomassa e o evento [seminário] é um começo para isso. Daí a cogitar de valores vai um longo caminho a ser percorrido", afirmou.
A ideia é que a energia entre nos cálculos do Consecana (Conselho dos Produtores de Cana de São Paulo). No conselho, os preços pagos pela cana levam em conta custos dos produtores e das indústrias e o resultado final das vendas de açúcar e etanol nos mercados interno e externo. Após análise desse conjunto de fatores, é definido o valor a ser pago pela tonelada de cana –hoje em R$ 53.
De acordo com Ortolan, os produtores querem saber se as usinas têm condições de pagar algum valor neste momento, em que ainda enfrentam crise. "Precisamos de estudos que nos digam da possibilidade. Nesse sentido, vamos procurar entender e avaliar a questão não só do bagaço como da palha da cana", disse.
Hoje, cerca de 170 usinas geram energia elétrica a partir do bagaço da cana no país. A primeira foi a São Francisco, na própria Sertãozinho, em maio de 1987.
UNICA: POSSIBILIDADE
Para Antonio de Padua Rodrigues, diretor-técnico da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), o assunto não está sendo tratado na entidade, mas "provavelmente" vai existir um mercado de palha de cana que será remunerado de alguma forma para a produção de energia ou etanol de segunda geração.
"Tem que ser discutido dentro do Consecana, não externamente. Não sei do que vão falar. A palha, sem dúvida alguma, vai ser um mercado. Temos de ver o que [produtores] querem, o que preferem, e discutir dentro do Consecana, não isoladamente", disse ele, que considera a discussão "muito inicial".
Já para Celso Torquato Junqueira Franco, presidente da Udop (União dos Produtores de Bioenergia), a demanda dos produtores é antiga e justa, pois a energia elétrica era um produto inexistente no passado na cadeia produtiva.
"Nosso potencial de geração de energia do bagaço da palha da cana atual é equivalente a 18% da energia no país. É muito próximo ao volume que as termelétricas geraram nos últimos dois anos de forma ininterrupta, mas a um custo ambiental e econômico altíssimo", disse. 
 
Em meio a uma tímida retomada do setor sucroenergético, produtores canavieiros rurais agora querem receber das usinas uma remuneração pela geração de energia elétrica obtida por meio da queima do bagaço da cana-de-açúcar.
O tema já era discutido internamente por produtores nos últimos anos, mas a crise do setor impedia o avanço das conversas. Agora, no entanto, será levado a público num seminário nesta quinta-feira (26) em Sertãozinho —cidade do interior paulista que tem economia totalmente voltada à indústria canavieira.
O objetivo é discutir a viabilidade de incluir essa remuneração no pagamento aos produtores e, também, saber quanto vale o bagaço de cana.
Embora tenha vivida um momento melhor, graças ao aumento da Cide cobrada na gasolina, que deixou o etanol mais competitivo, o setor ainda tem dificuldades em vista. Tem dívida acumulada de R$ 80 bilhões, mais que uma safra global inteira (estimada em R$ 65 bilhões) e viu 60 usinas paralisarem as atividades e 300 mil empregos serem perdidos desde 2008.
Houve ainda outras mudanças tributárias que favoreceram o etanol. Em Minas, por exemplo, o governo reduziu o ICMS do álcool, o que fez o setor ganhar novo fôlego neste ano. Graças a isso, fala-se inclusive de uma possível retomada dos investimentos na área.
O setor comemorou, na semana passada, os 40 anos do Proálcool.
Para Manoel Ortolan, presidente da Canaoeste (associação dos plantadores de cana do Oeste de SP) e da Orplana (organização dos plantadores do centro-sul), os produtores decidiram lutar pela remuneração da biomassa por entenderem que "já há um grande número de unidades de cogeração e outras que não cogeram, mas vendem o bagaço para outras empresas".
"Queremos entender melhor as questões relativas à biomassa e o evento [seminário] é um começo para isso. Daí a cogitar de valores vai um longo caminho a ser percorrido", afirmou.
A ideia é que a energia entre nos cálculos do Consecana (Conselho dos Produtores de Cana de São Paulo). No conselho, os preços pagos pela cana levam em conta custos dos produtores e das indústrias e o resultado final das vendas de açúcar e etanol nos mercados interno e externo. Após análise desse conjunto de fatores, é definido o valor a ser pago pela tonelada de cana –hoje em R$ 53.

De acordo com Ortolan, os produtores querem saber se as usinas têm condições de pagar algum valor neste momento, em que ainda enfrentam crise. "Precisamos de estudos que nos digam da possibilidade. Nesse sentido, vamos procurar entender e avaliar a questão não só do bagaço como da palha da cana", disse.
Hoje, cerca de 170 usinas geram energia elétrica a partir do bagaço da cana no país. A primeira foi a São Francisco, na própria Sertãozinho, em maio de 1987.
UNICA: POSSIBILIDADE
Para Antonio de Padua Rodrigues, diretor-técnico da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), o assunto não está sendo tratado na entidade, mas "provavelmente" vai existir um mercado de palha de cana que será remunerado de alguma forma para a produção de energia ou etanol de segunda geração.
"Tem que ser discutido dentro do Consecana, não externamente. Não sei do que vão falar. A palha, sem dúvida alguma, vai ser um mercado. Temos de ver o que [produtores] querem, o que preferem, e discutir dentro do Consecana, não isoladamente", disse ele, que considera a discussão "muito inicial".

Já para Celso Torquato Junqueira Franco, presidente da Udop (União dos Produtores de Bioenergia), a demanda dos produtores é antiga e justa, pois a energia elétrica era um produto inexistente no passado na cadeia produtiva.

 
"Nosso potencial de geração de energia do bagaço da palha da cana atual é equivalente a 18% da energia no país. É muito próximo ao volume que as termelétricas geraram nos últimos dois anos de forma ininterrupta, mas a um custo ambiental e econômico altíssimo", disse.