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Raízen estuda investir até US$ 480 milhões para irrigar canaviais

14/06/2012 Cana-de-Açúcar POR: Valor Econômico
Diante de intempéries que se repetem há pelo menos três safras consecutivas em suas áreas de cana, a Raízen, maior empresa sucroalcooleira do país, estuda implantar sistemas de irrigação nos canaviais de seis usinas localizadas no Estado de São Paulo, segundo o vice-presidente de Açúcar e Etanol da empresa, Pedro Mizutani. Se o projeto vingar, abrangerá 160 mil hectares, entre plantio próprio e de fornecedores, o que seria a maior área de cana irrigada do Brasil.

Se for comprovada a viabilidade da irrigação, os investimentos no projeto podem atingir US$ 480 milhões - US$ 3 mil por hectare -, que serão divididos pela empresa e seus fornecedores. Se aprovada, a implementação total nas seis usinas demandará cinco anos.

Mizutani explica que a necessidade da empresa - joint venture entre a Cosan e a Shell - de analisar a viabilidade econômica da irrigação em cana se deu após sucessivos anos de perdas de produtividade nos canaviais de algumas regiões paulistas. "O histórico mostra que a cada dez anos chove em apenas dois deles de forma regular em Araçatuba [SP]", menciona o executivo.

Não por coincidência, cinco das "usinas-alvo" estão nessa região. A outra está no município de Igarapava, no norte do Estado. Um projeto piloto de irrigação já começou a ser desenvolvido, de acordo com o executivo, e a unidade escolhida foi a usina Gaza, de Andradina, também na região de Araçatuba.

Atualmente, a única planta do grupo cujo canavial utiliza irrigação é a de Jataí (GO), onde o padrão climático é de inexistência de chuvas nos meses entre maio e outubro, quando a cana-de-açúcar também precisa de água para se desenvolver. "O resultado em Goiás vem sendo positivo. No ano passado, por exemplo, a produtividade dos canaviais de Jataí foi de 90 toneladas de cana por hectare, enquanto que, em Araçatuba, esse desempenho foi de apenas 70 toneladas por hectare", diz Mizutani.

A expectativa da companhia é que os testes indiquem um aumento de produtividade para 100 toneladas por hectare para a região de Araçatuba a partir do uso de sistemas de irrigação. A companhia quer ter essa resposta e, então, bater o martelo sobre o projeto até o fim deste ano.

Araçatuba é uma região tradicional em pecuária e foi ocupada de forma mais intensiva com cana-de-açúcar nos anos 1990. Mizutani explica que, desde que a empresa se instalou na região, em 2000, vem registrando resultados frustrantes. "Além de a terra ser mais fraca, o preço do etanol é mais baixo, pois há desconto maior de frete, uma vez que a distância de Araçatuba aos centros consumidores é maior do que a partir de outras regiões paulistas", afirma.

No ano passado, por exemplo, quando houve uma forte redução de produtividade nos canaviais do Centro-Sul, a quebra foi de 4% nas usinas de Piracicaba (SP) e de 22% nas unidades da Raízen de Araçatuba (SP).

Uma das grandes incertezas do setor nos últimos três anos, avalia Mizutani, foi o impacto da quebra de produtividade no custo de produção. Na última safra, a 2011/12, o custo médio de fabricação de açúcar na Raízen subiu 5,44%, para R$ 523,8 toneladas, e o do etanol, cresceu 21%, para R$ 783,9 mil por m³.

A produtividade menor dos canaviais também elevou os custos de arrendamento da terra de R$ 10,4 por tonelada de cana colhida na safra 2010/11 para R$ 17 por tonelada no ciclo 2011/12. "Descontada a produtividade agrícola menor, o aumento foi para cerca de R$ 12 por tonelada de cana", avalia.

A Raízen prevê processar no atual ciclo 2012/13 entre 52 milhões e 55 milhões de toneladas de cana. No ciclo anterior, o 2011/12, a moagem atingiu 53 milhões.