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Resistência em meio à pandemia

27/04/2020 Agronegócio POR: Marino Guerra

Cooperativismo e gestão sólida são as principais forças da organização frente à crise

O coronavírus é uma realidade. O que era encarado como mais um surto de gripe asiática no final de 2019 foi crescendo e, como um tsunami, atingiu todo o planeta, simplesmente varrendo planejamentos e metas, sejam eles de cadeias inteiras, empresas e até na vida de praticamente toda a população mundial.

E como veio forte também para o setor sucroenergético, que contava os dias para o início da safra que, muito provavelmente, entraria para a história como a da reviravolta perante a depressão mais severa que o segmento já passou.

Tudo se encaixava perfeitamente, formando a engrenagem de uma máquina que geraria muita prosperidade. O clima, ao longo do verão, parecia ter lido os livros de agronomia que ensinam o que a cana precisa na estação, além de ter tirado nota máxima na sua prova prática, o que resultaria numa lavoura com níveis de produtividade altamente generosos.

Havia também os estoques mundiais de açúcar, claramente reduzidos em decorrência da alta queda da produção brasileira nas últimas duas safras e ainda a diminuição das lavouras e quebra no último ciclo da Índia e Tailândia, o que injetava generosas doses de oxigênio nos preços tanto em Nova Iorque como em Londres.

No etanol, o cenário não era diferente. Aliás, havia uma expectativa ainda maior, nem tanto com a questão de preços, já que poderia se enxergar a possibilidade de uma queda racional no valor do petróleo, mas para a entrada em prática do RenovaBio, ou seja, o início de um dos mais geniais programas de remuneração criado para quem deixa de emitir carbono na atmosfera.

Quando todos esperavam por uma primavera amena e florida, um vírus trouxe, de volta, as trevas do rigoroso inverno vivido num passado recente

Porém, os ventos gelados voltaram a soprar e como em diversos momentos complicados da história, as cooperativas sempre se mantiveram firmes, sendo um dos principais pilares para as economias se apoiarem e ganharem forças para retomarem o seu caminho.

Filho da Revolução Industrial, mais especificamente em seu final, o cooperativismo foi uma das ferramentas mais eficientes na tentativa de correção do contraste social gerado pelos baixos salários praticados na época.

Sua primeira manifestação foi na data de 1844 através da fundação da Rochdale Society of Equitable Pioneers, grupo formado por 28 tecelões, na Inglaterra. A dinâmica do negócio foi baseada na criação de um armazém que estocava alimentos comprados em grande quantidade e, por consequência, a preços melhores. Com isso, cada membro do grupo ficava com uma parte igual de tudo o que era adquirido.

Durante a Primeira Guerra Mundial, as cooperativas foram responsáveis pelo fornecimento de quase metade de alimentos à população britânica, isso graças a um sistema criado que envolvia fábricas próprias, fazendas, linhas de navegação, bancos e uma empresa de seguros.

O seu crescimento mundial veio forte até a Segunda Grande Guerra, a qual após o seu fim, com o mundo dividido em dois lados e ambos sofrendo com a forte influência dos estados em sua economia (Guerra Fria), o cooperativismo foi praticamente deixado de lado, até porque não tinha como ser utilizado devido a sua essência ser baseada no regionalismo e reciprocidade.

Contudo, com a volta das economias ao eixo, o seu retorno foi inevitável, e dessa vez mais forte e organizado num movimento que, para a cultura canavieira do oeste do Estado de São Paulo, culminou na fundação da Copercana em 1963, e da Sicoob Cocred em 1969.

Essas duas organizações, acrescidas da Canaoeste, cresceram de maneira sustentável, tendo um importante papel em momentos de receios gerados pela imprevisibilidade, tanto para os seus cooperados como para as localidades em que fazem parte, conquistando importância não apenas por seguirem os princípios cooperativistas, mas também por terem historicamente gestões fortes e, sobretudo, sóbrias.

Em crises mundiais, como o fim da Revolução Industrial e a Primeira Grande Guerra, o cooperativismo foi protagonista e pilar para a recuperação econômica

Verdadeiras fortalezas, organizações como Copercana, Canaoeste e Sicoob Cocred, conseguem ser importantes em momentos de crise devido ao alicerce cooperativista, mas também por gestões consecutivas pautadas na seriedade e sobriedade com as contas