Rodadas de negócios geraram USD 138 milhões em prospecções de negócios na Fenasucro & Agrocana

06/10/2016 Cana-de-Açúcar POR: Andréia Vital – Revista Canavieiros – Edição 123
Durante os quatro dias de Fenasucro & Agrocana foram realizados 562 encontros de negócios para promoção de toda a cadeia produtiva da cana-de-açúcar brasileira através do Projeto Brazil Sugarcane Bioenergy Solution, criado por parceria entre o Arranjo Produtivo Local do Álcool (Apla) e Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). "Atraímos clientes em potencial vindos da Argentina, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Cuba, El Salvador, México, Nicarágua, Peru, Uruguai e Venezuela, o que mostra o interesse global nos produtos, soluções, tecnologias e serviços ofertados pelo mercado brasileiro", explicou o diretor executivo do Apla, Flavio Castelar, contando que participaram das rodadas 50 empresas brasileiras e 18 delegações internacionais. “Durante as reuniões foram registrados USD 382 mil em negócios fechados e mais de USD 138 milhões em expectativas de negócios que podem ser efetivados em até 12 meses”, afirma o executivo, que dá mais detalhes sobre a atuação do Apla nesta entrevista. Confira:
Revista Canavieiros: A Fenasucro & Agrocana 2016 aconteceu em um cenário mais positivo para o setor sucroenergético e foi chamada de “feira da retomada”. O senhor concorda com essa colocação?
Flavio Castelar: Estamos sentindo sim uma mudança no ânimo do setor, com remuneração melhor do açúcar no mercado internacional e do etanol no mercado interno. Lentamente parece que vai aquecendo a indústria que produz máquinas, equipamentos e serviços para as usinas, também com a manutenção do câmbio acima de R$ 3,20, as empresas estão exportando mais, o que ajuda a espera na reação do mercado interno.
Revista Canavieiros: Qual balanço o senhor faz das rodadas de negócios realizada pelo Projeto Brazil Sugarcane Bioenergy Solution, parceria entre o Arranjo Produtivo Local do Álcool (Apla) e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) na feira?
Castelar: Foi superpositiva e a avaliação dos resultados por parte das empresas foi excelente. Este ano contamos com um grupo de clientes de alto poder de decisão e com intenção de compra. A procura pela participação na rodada foi recorde, várias empresas ficaram na fila de espera e as 50 vagas acabaram em menos de um dia e meio. Negócios foram realizados durante as rodadas e as expectativas de negócios futuros são reais. A nossa parceria com a Apex-Brasil vem dando resultado e estamos a cada dia fortalecendo o projeto. O apoio da Apex é indispensável para as empresas e o Apla acaba sendo uma ferramenta útil que torna mais eficiente a estratégia de acesso ao mercado externo das empresas brasileiras.
Revista Canavieiros: Durante ação comercial do Projeto Brazil Sugarcane, na Fenasucro & Agrocana os compradores estrangeiros visitaram unidades na região de Ribeirão Preto--SP. Em sua visão, qual a importância de demonstrar o estado da arte da tecnologia brasileira?
Castelar: As visitas técnicas são parte da estratégia que montamos para as rodadas de negócios do projeto, são importantes por fortalecer a imagem do Brasil como líder em tecnologia para cana-de-açúcar, mostrar os equipamentos em funcionamento, como trabalhamos em pesquisas e desenvolvimento. Sempre levamos os convidados a uma usina. Este ano novamente foi a Virálcool que recebeu o grupo muito bem, como também o IAC, onde o dr. Marcos Landell sempre nos recebeu muito bem e apresenta o que tem de mais moderno e de vanguarda no setor.
Revista Canavieiros: Quais foram as principais ações realizadas pelo Projeto durante este ano, além da participação na Fenasucro & Agrocana? Qual o balanço destas ações e quais missões deverão acontecer em 2017?
Castelar: Este ano realizamos ações prospectivas, comerciais e participações em conferências na Tailândia, Moçambique, Nigéria, Equador, Londres, Peru e Guatemala. O resultado das ações está muito positivo. Estamos com um aumento nas exportações das empresas ligadas ao projeto e as expectativas até o final do ano são otimistas. 
Estamos em todas as ações com mais procura do que oferta de vagas, o que demonstra o interesse das empresas e que as ações trazem resultados positivos para as mesmas. A abertura do escritório do Apla em Sertãozinho-SP
com o apoio total do CEISE Br, com certeza vai ajudar a melhorar e acelerar a comunicação do projeto com as empresas e com isto trazer mais eficiência e resultados positivos.
Revista Canavieiros: Qual é a principal missão do Apla?
Castelar: Ser reconhecido como referência mundial em desenvolvimento e na aplicação de tecnologia em combustíveis renováveis, fomentando e facilitando a interação dos integrantes do Apla, de forma organizada e estruturada, gerando maior valor à cadeia produtiva da cana-de-açúcar, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da indústria sucroenergética.
Revista Canavieiros: Diante das previsões de deficit mundial de açúcar, quais são as perspectivas de médio prazo para a commodity e também para o etanol, na sua visão? 
Castelar: Seria fácil responder se somente o deficit mundial fosse levado em conta, porém dependemos de outros vários fatores como câmbio, estabilidade da economia interna no Brasil, clima, entre outros. Se tudo conspirar a favor, devemos ter pelos menos de dois a três anos de remuneração alta para usinas, o que traz expectativas de novos investimentos e ampliação da capacidade de moagem das nossas usinas, o que ajuda na retomada da indústria de base que comercializa máquinas e equipamentos. O valor alto do açúcar no mercado externo também aumenta a remuneração das usinas fora do Brasil, o que pode trazer aumento de exportação para nossas empresas. Assim estamos otimistas com este ciclo que está sendo iniciado depois de cinco anos de surplus (excedente) de açúcar no mercado mundial.
Revista Canavieiros: O Brasil é considerado o celeiro tecnológico do setor sucroenergético. O senhor poderia apontar quais foram os marcos importantes que colocaram o país no atual estágio que se encontra, de ser uma referência mundial?
Castelar: A história conspirou para sermos hoje o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo, já que a primeira indústria de transformação brasileira foi a de cana, logo no começo da nossa colonização. 
De lá para cá começamos a importar máquinas e equipamentos da Europa, que precisaram de manutenção e desta necessidade nasceram empresas que começaram a prestar este tipo de serviço e que se transformaram em fabricantes de equipamentos. Hoje montamos uma usina com componentes 100% nacionais. Com o Proálcool (Programa Nacional do Álcool), nos anos 70 demos um grande passo na diversificação da indústria de cana-de-açúcar, bem como no desenvolvimento de tecnologias para os carros a álcool, que hoje chamamos flex. 
Nos anos 2000, com o surgimento desta tecnologia, assistimos a um novo ciclo de crescimento do setor onde nos fez chegar, hoje, a uma safra de mais de 650 milhões de toneladas e que se não fosse pela política no mínimo equivocada do governo Federal, no que diz respeito ao etanol e energia elétrica, estaríamos com uma produção de cana-de-açúcar muito maior e com muito mais usinas em funcionamento.
Mas atualmente, com certeza, o Brasil é líder em tecnologia para processa mento e produção de cana e também lidera este movimento de diversificação da indústria onde, no futuro, teremos biorrefinarias e não mais fábricas de açúcar. Nossas tecnologias industriais beiram 100% de eficiência e agora estamos começando a trabalhar fortemente o campo, já que ainda estamos longe do potencial de produtividade da cana-de-açúcar que pode ser superior a 300 toneladas por hectare, este é o grande desfio para os próximos anos.
Revista Canavieiros: Quais são os atuais mecanismos de incentivo à exportação de tecnologia brasileira para regiões em desenvolvimento?
Castelar: Existem diversos mecanismos de incentivo à exportação de tecnologia brasileira, o principal mecanismo que temos para a indústria relacionada ao nosso setor sucroenergético é o Projeto Brazil Sugarcane Bioenergy Solution, realizado entre o Apla e a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).
Desde nossa fundação, em 2007, já atingimos 38 países e seguimos com nosso trabalho de incentivar a exportação de tecnologia brasileira para o setor sucroenergético. Outros mecanismos de incentivo também podem ajudar as empresas como:
 
Sebrae, Investe SP, Apex-Brasil, Câmaras de Comércio, PADIS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores),  ADTV (Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Indústria de Equipamentos para a TV Digital), REIDI (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura), REPENEC (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura da Indústria Petrolífera nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste), REPES (Regime Especial de Tributação para a Plataforma de Exportação de Serviços de Tecnologia da Informação), RETAERO (Regime Especial para a Indústria Aeronáutica Brasileira), REINTEGRA (Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras), PEIEX (Projeto de Extensão Industrial Exportadora), CIN-CNI (Centros Internacionais de Negócios da Câmara Nacional da Indústria) e as linhas especiais de financiamento do BNDES e Banco do Brasil, entre outros.
Revista Canavieiros: Atualmente, quais países competem com o Brasil na área industrial e agrícola?
Castelar: Na área industrial nosso maior concorrente é a Índia e Europa e alguns outros países começaram a aparecer como África do Sul, China, Tailândia, etc. Já na área agrícola, equipamentos e implementos especializados para cana-de-açúcar a concorrência é ainda menor.
Revista Canavieiros: Quais são os atuais mercados promissores para exportação de máquinas, produtos, equipamentos, tecnologia e soluções para o setor sucroenergético?
Castelar: Na América Latina, a Colômbia, Guatemala e Peru são mercados que nos últimos anos fizeram investimentos e agora começam diminuir as oportunidades de grandes investimentos, mas continuam como mercados prioritários para nossas empresas. 
A Argentina, depois da mudança de governo, vai ser um mercado que deve ser dada atenção. O México, pelo grande número de usinas, sempre é um mercado interessante, mas ali sentimos a concorrência dos Estados Unidos devido à proximidade dos países. O continente africano começa a ser um mercado que em um futuro próximo pode se tornar muito interessante devido ao grande potencial de terra e clima para produção de cana, além de já contar com vários países com produção de cana-de-açúcar e usinas em funcionamento que constituem oportunidades de vendas imediatas.
Revista Canavieiros: Para o senhor, quais são os pontos positivos e negativos do modelo brasileiro de gestão do setor sucroenergético?
Castelar: Destaco como pontos positivos todo o processo de diversificação dos produtos do segmento, deixando de serem simplesmente produtores de açúcar e sim, produtores de energia. Além da profissionalização intensa realizada nos grupos sucroenergéticos. E o ponto negativo é que deveríamos investir mais em pesquisa e desenvolvimento.
Durante os quatro dias de Fenasucro & Agrocana foram realizados 562 encontros de negócios para promoção de toda a cadeia produtiva da cana-de-açúcar brasileira através do Projeto Brazil Sugarcane Bioenergy Solution, criado por parceria entre o Arranjo Produtivo Local do Álcool (Apla) e Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). "Atraímos clientes em potencial vindos da Argentina, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Cuba, El Salvador, México, Nicarágua, Peru, Uruguai e Venezuela, o que mostra o interesse global nos produtos, soluções, tecnologias e serviços ofertados pelo mercado brasileiro", explicou o diretor executivo do Apla, Flavio Castelar, contando que participaram das rodadas 50 empresas brasileiras e 18 delegações internacionais. “Durante as reuniões foram registrados USD 382 mil em negócios fechados e mais de USD 138 milhões em expectativas de negócios que podem ser efetivados em até 12 meses”, afirma o executivo, que dá mais detalhes sobre a atuação do Apla nesta entrevista. Confira:
Revista Canavieiros: A Fenasucro & Agrocana 2016 aconteceu em um cenário mais positivo para o setor sucroenergético e foi chamada de “feira da retomada”. O senhor concorda com essa colocação?
Flavio Castelar: Estamos sentindo sim uma mudança no ânimo do setor, com remuneração melhor do açúcar no mercado internacional e do etanol no mercado interno. Lentamente parece que vai aquecendo a indústria que produz máquinas, equipamentos e serviços para as usinas, também com a manutenção do câmbio acima de R$ 3,20, as empresas estão exportando mais, o que ajuda a espera na reação do mercado interno.

 
Revista Canavieiros: Qual balanço o senhor faz das rodadas de negócios realizada pelo Projeto Brazil Sugarcane Bioenergy Solution, parceria entre o Arranjo Produtivo Local do Álcool (Apla) e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) na feira?
Castelar: Foi superpositiva e a avaliação dos resultados por parte das empresas foi excelente. Este ano contamos com um grupo de clientes de alto poder de decisão e com intenção de compra. A procura pela participação na rodada foi recorde, várias empresas ficaram na fila de espera e as 50 vagas acabaram em menos de um dia e meio. Negócios foram realizados durante as rodadas e as expectativas de negócios futuros são reais. A nossa parceria com a Apex-Brasil vem dando resultado e estamos a cada dia fortalecendo o projeto. O apoio da Apex é indispensável para as empresas e o Apla acaba sendo uma ferramenta útil que torna mais eficiente a estratégia de acesso ao mercado externo das empresas brasileiras.

 
Revista Canavieiros: Durante ação comercial do Projeto Brazil Sugarcane, na Fenasucro & Agrocana os compradores estrangeiros visitaram unidades na região de Ribeirão Preto--SP. Em sua visão, qual a importância de demonstrar o estado da arte da tecnologia brasileira?
Castelar: As visitas técnicas são parte da estratégia que montamos para as rodadas de negócios do projeto, são importantes por fortalecer a imagem do Brasil como líder em tecnologia para cana-de-açúcar, mostrar os equipamentos em funcionamento, como trabalhamos em pesquisas e desenvolvimento. Sempre levamos os convidados a uma usina. Este ano novamente foi a Virálcool que recebeu o grupo muito bem, como também o IAC, onde o dr. Marcos Landell sempre nos recebeu muito bem e apresenta o que tem de mais moderno e de vanguarda no setor.

 
Revista Canavieiros: Quais foram as principais ações realizadas pelo Projeto durante este ano, além da participação na Fenasucro & Agrocana? Qual o balanço destas ações e quais missões deverão acontecer em 2017?
Castelar: Este ano realizamos ações prospectivas, comerciais e participações em conferências na Tailândia, Moçambique, Nigéria, Equador, Londres, Peru e Guatemala. O resultado das ações está muito positivo. Estamos com um aumento nas exportações das empresas ligadas ao projeto e as expectativas até o final do ano são otimistas. 
Estamos em todas as ações com mais procura do que oferta de vagas, o que demonstra o interesse das empresas e que as ações trazem resultados positivos para as mesmas. A abertura do escritório do Apla em Sertãozinho-SP
com o apoio total do CEISE Br, com certeza vai ajudar a melhorar e acelerar a comunicação do projeto com as empresas e com isto trazer mais eficiência e resultados positivos.

 
Revista Canavieiros: Qual é a principal missão do Apla?
Castelar: Ser reconhecido como referência mundial em desenvolvimento e na aplicação de tecnologia em combustíveis renováveis, fomentando e facilitando a interação dos integrantes do Apla, de forma organizada e estruturada, gerando maior valor à cadeia produtiva da cana-de-açúcar, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da indústria sucroenergética.

 
Revista Canavieiros: Diante das previsões de deficit mundial de açúcar, quais são as perspectivas de médio prazo para a commodity e também para o etanol, na sua visão? 
Castelar: Seria fácil responder se somente o deficit mundial fosse levado em conta, porém dependemos de outros vários fatores como câmbio, estabilidade da economia interna no Brasil, clima, entre outros. Se tudo conspirar a favor, devemos ter pelos menos de dois a três anos de remuneração alta para usinas, o que traz expectativas de novos investimentos e ampliação da capacidade de moagem das nossas usinas, o que ajuda na retomada da indústria de base que comercializa máquinas e equipamentos. O valor alto do açúcar no mercado externo também aumenta a remuneração das usinas fora do Brasil, o que pode trazer aumento de exportação para nossas empresas. Assim estamos otimistas com este ciclo que está sendo iniciado depois de cinco anos de surplus (excedente) de açúcar no mercado mundial.

 
Revista Canavieiros: O Brasil é considerado o celeiro tecnológico do setor sucroenergético. O senhor poderia apontar quais foram os marcos importantes que colocaram o país no atual estágio que se encontra, de ser uma referência mundial?
Castelar: A história conspirou para sermos hoje o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo, já que a primeira indústria de transformação brasileira foi a de cana, logo no começo da nossa colonização. 
De lá para cá começamos a importar máquinas e equipamentos da Europa, que precisaram de manutenção e desta necessidade nasceram empresas que começaram a prestar este tipo de serviço e que se transformaram em fabricantes de equipamentos. Hoje montamos uma usina com componentes 100% nacionais. Com o Proálcool (Programa Nacional do Álcool), nos anos 70 demos um grande passo na diversificação da indústria de cana-de-açúcar, bem como no desenvolvimento de tecnologias para os carros a álcool, que hoje chamamos flex. 
Nos anos 2000, com o surgimento desta tecnologia, assistimos a um novo ciclo de crescimento do setor onde nos fez chegar, hoje, a uma safra de mais de 650 milhões de toneladas e que se não fosse pela política no mínimo equivocada do governo Federal, no que diz respeito ao etanol e energia elétrica, estaríamos com uma produção de cana-de-açúcar muito maior e com muito mais usinas em funcionamento.
Mas atualmente, com certeza, o Brasil é líder em tecnologia para processa mento e produção de cana e também lidera este movimento de diversificação da indústria onde, no futuro, teremos biorrefinarias e não mais fábricas de açúcar. Nossas tecnologias industriais beiram 100% de eficiência e agora estamos começando a trabalhar fortemente o campo, já que ainda estamos longe do potencial de produtividade da cana-de-açúcar que pode ser superior a 300 toneladas por hectare, este é o grande desfio para os próximos anos.

 
Revista Canavieiros: Quais são os atuais mecanismos de incentivo à exportação de tecnologia brasileira para regiões em desenvolvimento?
Castelar: Existem diversos mecanismos de incentivo à exportação de tecnologia brasileira, o principal mecanismo que temos para a indústria relacionada ao nosso setor sucroenergético é o Projeto Brazil Sugarcane Bioenergy Solution, realizado entre o Apla e a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).
Desde nossa fundação, em 2007, já atingimos 38 países e seguimos com nosso trabalho de incentivar a exportação de tecnologia brasileira para o setor sucroenergético. Outros mecanismos de incentivo também podem ajudar as empresas como:
 
Sebrae, Investe SP, Apex-Brasil, Câmaras de Comércio, PADIS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores),  ADTV (Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Indústria de Equipamentos para a TV Digital), REIDI (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura), REPENEC (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura da Indústria Petrolífera nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste), REPES (Regime Especial de Tributação para a Plataforma de Exportação de Serviços de Tecnologia da Informação), RETAERO (Regime Especial para a Indústria Aeronáutica Brasileira), REINTEGRA (Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras), PEIEX (Projeto de Extensão Industrial Exportadora), CIN-CNI (Centros Internacionais de Negócios da Câmara Nacional da Indústria) e as linhas especiais de financiamento do BNDES e Banco do Brasil, entre outros.

 
Revista Canavieiros: Atualmente, quais países competem com o Brasil na área industrial e agrícola?
Castelar: Na área industrial nosso maior concorrente é a Índia e Europa e alguns outros países começaram a aparecer como África do Sul, China, Tailândia, etc. Já na área agrícola, equipamentos e implementos especializados para cana-de-açúcar a concorrência é ainda menor.


Revista Canavieiros: Quais são os atuais mercados promissores para exportação de máquinas, produtos, equipamentos, tecnologia e soluções para o setor sucroenergético?
Castelar: Na América Latina, a Colômbia, Guatemala e Peru são mercados que nos últimos anos fizeram investimentos e agora começam diminuir as oportunidades de grandes investimentos, mas continuam como mercados prioritários para nossas empresas. 
A Argentina, depois da mudança de governo, vai ser um mercado que deve ser dada atenção. O México, pelo grande número de usinas, sempre é um mercado interessante, mas ali sentimos a concorrência dos Estados Unidos devido à proximidade dos países. O continente africano começa a ser um mercado que em um futuro próximo pode se tornar muito interessante devido ao grande potencial de terra e clima para produção de cana, além de já contar com vários países com produção de cana-de-açúcar e usinas em funcionamento que constituem oportunidades de vendas imediatas.

 

Revista Canavieiros: Para o senhor, quais são os pontos positivos e negativos do modelo brasileiro de gestão do setor sucroenergético?
Castelar: Destaco como pontos positivos todo o processo de diversificação dos produtos do segmento, deixando de serem simplesmente produtores de açúcar e sim, produtores de energia. Além da profissionalização intensa realizada nos grupos sucroenergéticos. E o ponto negativo é que deveríamos investir mais em pesquisa e desenvolvimento.