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Setor de cana-de-açúcar ganha com campanha global contra carvão

14/03/2016 Cana-de-Açúcar POR: Bloomberg
A longa batalha pela sobrevivência da produtora de etanol, açúcar e energia Infinity Bio-Energy pode estar perto do fim e o final não vai ser feliz.
Em recuperação judicial desde 2009, a companhia apresentou, no fim de fevereiro, seu terceiro plano de recuperação. Os bancos não gostaram.
Com dívida de 1,5 bilhão de reais, o grupo não estava cumprindo o primeiro plano e apresentou outro em julho, que foi negado. Os quatro maiores credores precisam aprovar o plano, mas um deles, o banco Santander, já avisou que prefere a falência.
A decisão será no dia 15 de março. 
Os esforços globais para limitar as usinas de energia movidas a carvão poderiam trazer um alívio para a indústria da cana-de-açúcar do Brasil, que passa por dificuldades.
Ao menos essa é a aposta de empresas como a Cosan, coproprietária da maior processadora de cana-de-açúcar do mundo, que formou uma joint venture de US$ 130 milhões para produzir pellets de biomassa a partir da cana-de-açúcar que podem ser queimados para produzir eletricidade.
As geradoras de energia já estão expandindo o uso de pellets de biomassa feitos de madeira para substituir o carvão nas usinas de energia térmica. A Cosan estima que a demanda global por pellets aumentará 60 por cento nos próximos cinco anos, criando um enorme mercado para os pellets brasileiros feitos de bagaço, o subproduto fibroso do processamento da cana normalmente tratado como resíduo.
“Existe uma tendência constante de substituir o carvão e outras fontes poluentes por fontes renováveis para geração de energia”, disse Mark Lyra, presidente da Cosan Biomassa, a joint venture formada pela Cosan e pela Sumitomo Corp.
“Não há como retroceder porque as políticas de combate às mudanças climáticas estão sendo reforçadas em todo o planeta. Ao usar o resíduo da cana-de-açúcar, o Brasil se posiciona para se tornar a Arábia Saudita da energia renovável”.
Os pellets de biomassa feitos de madeira dominam o setor e quase todos vêm de florestas da Europa, dos EUA e do Canadá. A Cosan e a Sumitomo estimam que o mercado global dará um salto para 40 milhões de toneladas em cinco anos, contra 25 milhões de toneladas atualmente.
O Brasil, maior produtor de cana do mundo, pode ser capaz de produzir até 80 milhões de toneladas por ano a partir do bagaço, o suficiente para abastecer todo o setor, segundo a Cosan.
“A biomassa da cana-de-açúcar peletizada é uma nova commodity que está sendo criada para servir a economia de baixo uso de carbono”, disse Lyra.
Pellets de biomassa
A demanda crescente por pellets de biomassa surge em um momento em que os países buscam reduzir sua dependência em relação ao carvão, usado para gerar cerca de um terço da eletricidade do mundo, segundo o World Resources Institute, em Washington.

As importações de pellets de madeira do Japão mais que dobraram no ano passado para um recorde de 232.425 toneladas, segundo o ministério das finanças do país.
O ministério do comércio exterior aprovou mais de 2.000 megawatts em novos projetos de biomassa de madeira desde a introdução, em julho de 2012, de incentivos conhecidos como contratos de oferta padrão (FIT, na sigla em inglês), que exigiriam cerca de 40 milhões de metros cúbicos de material em madeira por ano, quase o dobro da produção doméstica anual de madeira do Japão, segundo estimativas da Biomass Industrial Society Network.

 
A Sumitomo estima que o consumo de pellets do país poderá chegar a 10 milhões de toneladas por ano até 2030, segundo Yoshinobu Kusano, gerente-geral da empresa para biomassa.
Isso ajudará o Japão a cumprir sua meta de reduzir em 26% a emissão de gases causadores do efeito estufa até 2030 como parte de seu compromisso sob o acordo climático global fechado em Paris em dezembro.
A fábrica de pellets do estado de São Paulo iniciou recentemente a produção e começará a produzir cerca de 175 mil toneladas por ano. A produção poderá atingir 2 milhões de toneladas por ano até 2025 e a joint venture se concentrará primeiro no Japão, na Coreia do Sul e na Europa.
Mudança climática
A Summit Energy, uma unidade da Sumitomo, está construindo a maior usina de energia de biomassa do Japão em Handa, que terá 75 megawatts de capacidade e deverá entrar em operação no ano que vem.
“Como a mudança climática está se transformando em uma preocupação mundial, a demanda por combustível de biomassa terá que aumentar drasticamente”, disse Kusano, por email.
A Sumitomo continuará usando pellets feitos a partir de madeira e aumentará o uso daqueles produzidos com cana-de-açúcar, e o Brasil é “um dos melhores países para produzir pellets a partir do bagaço”.