Setor sucroalcooleiro vive `início de virada´

13/11/2015 Cana-de-Açúcar POR: Folha da Região - Araçatuba/SP
Depois de retrações sucessivas no início da década de 2010, o setor sucroenergético vive um cenário mais positivo em 2015, com elevação no preço do açúcare do etanol, expectativa de crescimento da produção puxada por melhores condições climáticas e aumento do percentual do etanol anidro de 25% para 27% na gasolina, determinado pelo governo. Mais otimistas que nos dois anos anteriores, representantes da agroindústria canavieira falam em início de recuperação. Empresários, analistas e responsáveis por entidades do segmento estiveram em Araçatuba ontem (11) para debater passado, presente e perspectivas futuras durante 8º Congresso Nacional da Bioenergia, realizado pela UDOP (União dos Produtores de Bioenergia) e Stab (Sociedade dos Técnicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil) Regional Sul. 
"Estamos comemorando os 40 anos do ProÁlcool [Programa Nacional do Álcool, iniciado em 1975] em um momento especial, em que se deu um respiro, as coisas começaram a melhorar e se deu o início de uma virada", afirmou o presidente do grupo Maubisa, Maurílio Biagi Filho.
Na quinta e atual fase do programa, contada a partir de 2000, o setor viveu grande entusiasmo motivado pelos investimentos da iniciativa privada e cresceu com a popularização dos modelos flex desde 2003. Porém, afundou em crise iniciada em 2008, sofreu quebra da produtividade em 2014, resultando em endividamento e fechamento de usinas. Agora, a indústria vê sinais de retomada de fôlego.
Motivado pelo aumento da demanda, o etanol hidratado atingiu recorde nominal, como aponta o indicador Cepea/Esalq, fechando a R$ 1,7035/litro (sem impostos) na semana passada, a 11ª alta semanal consecutiva. Já o açúcar cristal também disparou, registrando aumento de 35% no mercado paulista, em outubro deste ano. As altas se prolongaram em novembro, quando o preço da saca de 50kg do produto saltou de R$ 73,74, no terceiro dia do mês, para R$ 75,97 no fechamento de ontem. 
Competitividade
De acordo com o diretor da Datagro Consultoria, Guilherme Nastari, o aumento do percentual do etanol anidro na gasolina é um dos fatores que resultaram em maior competitividade do biocombustível, crescimento da demanda e, consequentemente, aumento do preço. Para ele, as altas respondem às solicitações de políticas públicas que o setor faz há mais de três anos, como a elevação de impostos sobre a gasolina e o aumento da mistura do álcool no combustível fóssil. "Esses dois movimentos resultam em aumento de preço e ganho momentâneo em relação a períodos anteriores." A alta do açúcar é consequência do etanol.
O presidente da UDOP, Celso Torquato Junqueira Franco, explica que os consumidores buscaram mais o etanol devido ao encarecimento da gasolina. Isso se deu com mais intensidade em estados que aumentaram o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre a gasolina e reduziram o tributo sobre o biocombustível. "Isso fez aumentar as vendas de etanol principalmente em Minas Gerais, mas também no Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul". 
Chuvas
De acordo com ele, a expectativa é de aumento na produção na safra atual (2015/2016) e também na próxima devido à maior incidência de chuvas. "Muita gente não estava com condições para cuidar do canavial. Porém, o clima pode compensar a falta de trato adequado".
Como resultado dos índices pluviométricos em 2015, a safra deve ser maior em 2016/17 e a atual transcorre com um volume bom de produção. Na análise do presidente da UDOP, os preços começaram o ano reprimidos e se recuperaram nos últimos dois meses, o que vai ajudar as usinas a fechar 2015 com ganhos pouco superiores aos de 2014. "Há uma recuperação, mas diria que ainda é pequena, porque o estrago foi grande". 
Consultoria projeta recorde de produção de etanol na safra
A moagem de cana-de-açúcar na safra atual 2015/16 deve atingir 605,9 milhões de toneladas, no centro-sul, 4% maior do que a anterior, conforme projeções da Datagro Consultoria. O País deverá também atingir recorde com a produção de 30,02 bilhões de litros de etanol, no ciclo 2015/2016, ante 28,5 bilhões de litros da safra 2014/2015.
Segundo, o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), no acumulado de janeiro a outubro deste ano, a região de Araçatuba moeu 51.326.751 toneladas de cana, menor que as 54.893.521 toneladas processadas no mesmo período de 2014. Porém, a expectativa é de que até dezembro, quando a safra será encerrada, o volume supere o ano passado. "A moagem está atrasada por conta das chuvas que estão afetando todo o centro-sul por causa do fenômeno climático El Niño. A perspectiva é de produção maior em função da melhor produtividade", explicou em nota enviada à Folha da Região. Na safra passada, a maioria das usinas parou em novembro.
De acordo com Celso Torquato, na região de Araçatuba as refinarias devem funcionar no máximo até 25 de dezembro. "Via de regra, a turma não gosta de comer o peru na moenda, então o Natal é uma data limite."
Substituição de energia fóssil traz boas perspectivas futuras
A preocupação com o meio ambiente deve estimular a procura pelo biocombustível. Essa é a perspectiva do diretor da Datagro, Guilherme Nastari, para o mercado do etanol nas décadas futuras. "Acho que o maior ativo que o setor tem é o cliente."
Ele lembra que os países do G7 assumiram o compromisso de substituir o consumo deenergia fóssil por renovável. "Nós temos a segurança de que haverá demanda para continuarmos expandindo as áreas com cana para produzirmos o produto necessário para eles cumprirem com isso".
Na avaliação de Nastari, o setor deve sobreviver à crise iniciada em 2008, mesmo que algumas empresas fiquem no meio do caminho e outras sofram para atravessá-la. "Os problemas de curto prazo que estamos vivendo no País constituem mais um período crítico da história do setor sucroalcooleiro. Mas ele vai superar, como os outros que existiram." Para o diretor, o setor está mais otimista que em 2013 e 2014, porém ainda saboreia um gosto um pouco amargo porque a alavancagem está muito alta, assim como o endividamento.
Rafaela Tavares
Depois de retrações sucessivas no início da década de 2010, o setor sucroenergético vive um cenário mais positivo em 2015, com elevação no preço do açúcar e do etanol, expectativa de crescimento da produção puxada por melhores condições climáticas e aumento do percentual do etanol anidro de 25% para 27% na gasolina, determinado pelo governo. Mais otimistas que nos dois anos anteriores, representantes da agroindústria canavieira falam em início de recuperação. Empresários, analistas e responsáveis por entidades do segmento estiveram em Araçatuba ontem (11) para debater passado, presente e perspectivas futuras durante 8º Congresso Nacional da Bioenergia, realizado pela UDOP (União dos Produtores de Bioenergia) e Stab (Sociedade dos Técnicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil) Regional Sul. 
"Estamos comemorando os 40 anos do ProÁlcool [Programa Nacional do Álcool, iniciado em 1975] em um momento especial, em que se deu um respiro, as coisas começaram a melhorar e se deu o início de uma virada", afirmou o presidente do grupo Maubisa, Maurílio Biagi Filho.
Na quinta e atual fase do programa, contada a partir de 2000, o setor viveu grande entusiasmo motivado pelos investimentos da iniciativa privada e cresceu com a popularização dos modelos flex desde 2003. Porém, afundou em crise iniciada em 2008, sofreu quebra da produtividade em 2014, resultando em endividamento e fechamento de usinas. Agora, a indústria vê sinais de retomada de fôlego.
Motivado pelo aumento da demanda, o etanol hidratado atingiu recorde nominal, como aponta o indicador Cepea/Esalq, fechando a R$ 1,7035/litro (sem impostos) na semana passada, a 11ª alta semanal consecutiva. Já o açúcar cristal também disparou, registrando aumento de 35% no mercado paulista, em outubro deste ano. As altas se prolongaram em novembro, quando o preço da saca de 50kg do produto saltou de R$ 73,74, no terceiro dia do mês, para R$ 75,97 no fechamento de ontem. 
Competitividade
De acordo com o diretor da Datagro Consultoria, Guilherme Nastari, o aumento do percentual do etanol anidro na gasolina é um dos fatores que resultaram em maior competitividade do biocombustível, crescimento da demanda e, consequentemente, aumento do preço. Para ele, as altas respondem às solicitações de políticas públicas que o setor faz há mais de três anos, como a elevação de impostos sobre a gasolina e o aumento da mistura do álcool no combustível fóssil. "Esses dois movimentos resultam em aumento de preço e ganho momentâneo em relação a períodos anteriores." A alta do açúcar é consequência do etanol.
O presidente da UDOP, Celso Torquato Junqueira Franco, explica que os consumidores buscaram mais o etanol devido ao encarecimento da gasolina. Isso se deu com mais intensidade em estados que aumentaram o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre a gasolina e reduziram o tributo sobre o biocombustível. "Isso fez aumentar as vendas de etanol principalmente em Minas Gerais, mas também no Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul". 
Chuvas
De acordo com ele, a expectativa é de aumento na produção na safra atual (2015/2016) e também na próxima devido à maior incidência de chuvas. "Muita gente não estava com condições para cuidar do canavial. Porém, o clima pode compensar a falta de trato adequado".
Como resultado dos índices pluviométricos em 2015, a safra deve ser maior em 2016/17 e a atual transcorre com um volume bom de produção. Na análise do presidente da UDOP, os preços começaram o ano reprimidos e se recuperaram nos últimos dois meses, o que vai ajudar as usinas a fechar 2015 com ganhos pouco superiores aos de 2014. "Há uma recuperação, mas diria que ainda é pequena, porque o estrago foi grande". 
Consultoria projeta recorde de produção de etanol na safra
A moagem de cana-de-açúcar na safra atual 2015/16 deve atingir 605,9 milhões de toneladas, no centro-sul, 4% maior do que a anterior, conforme projeções da Datagro Consultoria. O País deverá também atingir recorde com a produção de 30,02 bilhões de litros de etanol, no ciclo 2015/2016, ante 28,5 bilhões de litros da safra 2014/2015.
Segundo, o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), no acumulado de janeiro a outubro deste ano, a região de Araçatuba moeu 51.326.751 toneladas de cana, menor que as 54.893.521 toneladas processadas no mesmo período de 2014. Porém, a expectativa é de que até dezembro, quando a safra será encerrada, o volume supere o ano passado. "A moagem está atrasada por conta das chuvas que estão afetando todo o centro-sul por causa do fenômeno climático El Niño. A perspectiva é de produção maior em função da melhor produtividade", explicou em nota enviada à Folha da Região. Na safra passada, a maioria das usinas parou em novembro.
De acordo com Celso Torquato, na região de Araçatuba as refinarias devem funcionar no máximo até 25 de dezembro. "Via de regra, a turma não gosta de comer o peru na moenda, então o Natal é uma data limite."
Substituição de energia fóssil traz boas perspectivas futuras
A preocupação com o meio ambiente deve estimular a procura pelo biocombustível. Essa é a perspectiva do diretor da Datagro, Guilherme Nastari, para o mercado do etanol nas décadas futuras. "Acho que o maior ativo que o setor tem é o cliente."
Ele lembra que os países do G7 assumiram o compromisso de substituir o consumo deenergia fóssil por renovável. "Nós temos a segurança de que haverá demanda para continuarmos expandindo as áreas com cana para produzirmos o produto necessário para eles cumprirem com isso".
Na avaliação de Nastari, o setor deve sobreviver à crise iniciada em 2008, mesmo que algumas empresas fiquem no meio do caminho e outras sofram para atravessá-la. "Os problemas de curto prazo que estamos vivendo no País constituem mais um período crítico da história do setor sucroalcooleiro. Mas ele vai superar, como os outros que existiram." Para o diretor, o setor está mais otimista que em 2013 e 2014, porém ainda saboreia um gosto um pouco amargo porque a alavancagem está muito alta, assim como o endividamento.
Rafaela Tavares