Sistematização de área: tecnologia fundamental

Artigos Técnicos POR: * Breno Henrique Souza ** Giovane da Silva

* Engenheiro-agrônomo da Canaoeste de Descalvado

** Desenhista da Canaoeste

A evolução tecnológica e a diminuição da mão de obra operacional no decorrer dos últimos anos proporcionaram um aumento significativo das operações mecanizadas na cultura da cana-de-açúcar e têm forçado os produtores a melhorarem as suas eficiências operacionais.

Nesse contexto, a adaptação das técnicas de sistematização de áreas é fundamental. A sistematização é um ótimo exemplo de técnica moderna aplicada especialmente no plantio de cana-de-açúcar, que garante o sucesso de todas as etapas do processo de produção, do plantio à colheita.

A sistematização de áreas é uma terminologia utilizada no setor canavieiro para o planejamento da implantação de um canavial, na qual são definidos dimensionamentos de talhões e nivelamento do terreno, retirada de materiais estranhos, localização de estradas e carreadores, terraceamento adequado, sistema conservacionista e planejamento da sulcação (Benedini; Conde, 2008).

As técnicas de sistematização têm o objetivo de melhorar a conservação e minimizar erosões, da mesma forma que permitem a melhor infiltração e distribuição de água no solo. Tem também o objetivo de planejar os talhões e carreadores para que as máquinas realizem o menor número de manobras, aumentando assim os rendimentos operacionais. Quanto menor o número de manobras, menores serão a perda de tempo e o custo de todas as operações mecânicas.

O preparo de solo é um fator importante dentro do processo de sistematização e deve proporcionar uma boa uniformidade de profundidade e um razoável nivelamento da superfície do terreno, ambas as ações possibilitam uma sulcação uniforme e um perfeito paralelismo. Também é fundamental a adoção de linhas de plantio bastante alongadas e com o menor número possível de matações, reduzindo as manobras e o pisoteio da soqueira, o que é alcançado com o aumento do espaço horizontal entre os terraços ou, se possível, com a eliminação desses (Benedini; Conde, 2008).

Dessa forma, a sistematização proporciona a otimização da área agrícola e incrementos dos rendimentos operacionais, da longevidade do canavial e produtividade agrícola, da conservação do solo e da água e, consequentemente, da sustentabilidade da atividade canavieira A eliminação do pisoteio da linha de cana e a consequente diminuição da compactação são muito relevantes e impactam positivamente em todo o processo.

Para iniciar os trabalhos de sistematização, primeiramente é necessário um levantamento topográfico in loco. Com o apoio de aparelho GPS de alta precisão, algumas informações são colhidas em campo, tais como os pontos com altimetria do terreno. Ao gerar a malha de triangulação a partir da grade de pontos, podemos realizar uma interpretação topográfica de forma tridimensional do terreno, conforme exemplifica a imagem abaixo, no gráfico tridimensional:

Figura 1: Geração das curvas de nível e malha tridimensional de pontos / Fonte: Canaoeste

Com as informações de campo levantadas e o desenho realizado em software específico, pode-se observar a nuance topográfica do terreno e, consequentemente, a sua declividade, o que dá condições para o planejamento da sistematização e suas etapas, conforme já descritas anteriormente. Tais processos têm o objetivo de obter linhas de plantio de maior comprimento, reduzir o número de manobras e diminuir o pisoteio das linhas de cana durante todas as operações mecanizadas que envolvem o processo de produção de cana.

No geral, os talhões de cana são subdivididos quanto à topografia e a homogeneidade do solo, e apresentam, em média, 10 a 20 hectares. Devemos escolher áreas sem a presença de árvores, cercas, tocos e pedras que venham a impedir o rendimento das operações.

O planejamento da base física de uma fazenda ou gleba de plantio de cana-de-açúcar é uma das ferramentas de mais baixo custo e de grande impacto nas operações motomecanizadas. Por isso, é preciso encarar o seu planejamento e execução como uma obra de engenharia, respeitando os limites e as recomendações, a fim de evitar problemas no decorrer do ciclo da cultura.

Para otimizar ainda mais esse processo de sistematização das áreas, os carreadores são readequados também, de forma que suas disposições sejam coerentes aos sulcos de plantio planejados, obtendo um maior aproveitamento de área de plantio e colheita. A imagem abaixo demonstra a readequação dos carregadores de uma propriedade rural, com base no uso adequado do terreno, sendo possível observar o aumento da área de cultivo de cana-de-açúcar.

Deste modo, ao fim do planejamento conseguimos aumentar a área produtiva do imóvel rural e as eficiências do trabalho no campo sem o risco de erosão e danos ao solo e ao meio ambiente.

Vale lembrar que após o projeto finalizado, a Canaoeste pode realizar o acompanhamento no campo através de suporte técnico agronômico. A associação possui profissionais qualificados e à disposição de seus associados para a realização deste e outros trabalhos. Entre em contato conosco!

A sistematização tem um forte impacto na composição dos custos de produção e conhecer e implementar essa tecnologia é essencial para o sucesso do produtor rural.

Figura 2: Alocação de carreadores e desenho de modelo de linhas de sulcação / Fonte: Canaoeste

Figura 3: Comparativo da área antes e depois da sistematização, evidenciando o reposicionamento dos carreadores e melhor aproveitamento da área produtiva / Fonte: Canaoeste