Sul paulista: Mais um ano de briga contra o clima

07/04/2022 Noticias POR: MARINO GUERRA


Área localizada no município de Nantes-SP (divisa com o Paraná) que teve chuvas relativamente positivas, região sofreu com problemas hídricos pelo terceiro verão consecutivo

 

O período de plantio no sul paulista, uma das principais regiões do Projeto Amendoim da Copercana, que chegou numa área de aproximadamente quatro mil hectares, demonstrava que finalmente, depois de duas safras desafiadoras sob o ponto de vista climático, o produtor poderia traduzir todo o seu conhecimento e trabalho numa safra “gorda”. Quando a reportagem visitou a região, entre 16 e 18 de novembro, algumas áreas já apresentavam fechamento de rua, fase posterior ao florescimento e que estavam nesse estágio porque as chuvas necessárias para o plantio chegaram antecipadamente nos dias iniciais de setembro. Porém, com a chegada do verão, pela terceira vez consecutiva o La Niña deu suas caras e trouxe dois fortes veranicos (uma antes e outro após as festas de final de ano), justamente no período de enchimento de grãos. A sentença estava dada, o trabalho seria, mais uma vez, para chegar próximo da meta estabelecida pelo projeto, 400 sacas (de 25 kg) por alqueire.


Um dos produtores referência para a região, Flávio Pavão, que na foto está ao lado do agrônomo, Ruan Betiol, calcula uma produção ainda menor em relação à safra anterior

 

“Os períodos de estiagem e as chuvas picadas mais uma vez foram determinantes para nossa produtividade, e olhando  Um dos produtores referência para a região, Flávio Pavão, que na foto está ao lado do agrônomo, Ruan Betiol, calcula uma produção ainda menor em relação à safra anterior somente para o verão, as condições climáticas foram ainda mais adversas, dessa maneira nossa impressão é terminarmos o período abaixo da média do ano passado, que foi de 450 sacas por alqueire”, disse Flávio Pavão, um dos mais experientes produtores do projeto.

Safrinha

Como o sucesso na atividade rural depende cada vez mais do dinamismo no uso da terra, Pavão aproveitou as áreas onde o plantio do amendoim aconteceu mais cedo e com variedade precoce, para entrar com o plantio de milho em consórcio com a brachiaria ruzizienses. Sua intenção é fazer a colheita do milho, para silagem, no máximo em maio, e em seguida soltar a boiada de forma que terá pasto e volumoso ao longo do inverno, período mais crítico para nutrição da criação. “Trabalhamos também com a mandioca e a pecuária, dessa forma não ficamos sujeitos a uma única fonte de renda, o que reduz um pouco nossa exposição numa cultura tão delicada em termos de preço e manejo como o amendoim”, completa Pavão.


Integração brachiaria e milho posterior ao plantio de amendoim, produtor precisa se diversificar para não ficar refém de apenas um mercado