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Suspensão de queimadas preocupa trabalhadores de canaviais

07/03/2014 Cana-de-Açúcar POR: Jornal Nacional - Rede Globo
Uma notícia boa para o meio ambiente, se tornou preocupação para milhares de trabalhadores no interior de São Paulo.
 
As lavouras paulistas produzem quase 60% da cana de açúcar do país. A partir deste ano, a queimada será suspensa nas áreas mecanizáveis. O principal motivo é o prejuízo ambiental que ela provoca. A cada hectare queimado, quatro toneladas de monóxido de carbono e metano são lançadas no ar. Esses gases contribuem para o aquecimento global.
 
"Ela vai provocar transformação de energia, ela vai provocar transformação de substâncias. Ela vai lançar para a atmosfera uma quantidade muito grande, de material particulado, causando problemas respiratórios, causando outros problemas de saúde", explica Osmar Cavassan, pesquisador da Unesp.
 
Mas a preocupação não é somente com o meio ambiente. A queimada representava prejuízos para o usineiros. O fogo destruía a palha, matéria-prima essencial para a produção de energia e etanol de última geração.
 
"Nós temos é que ampliar a produtividade agrícola e, neste caso, o rendimento industrial, levando também para a produção industrial outros elementos que antes ficavam no campo ou eram queimados", afirma Mônica Bergamaschi, secretária de Agricultura de São Paulo.
 
 
Acordo entre usineiros e o Governo Estadual de São Paulo
 
O fim da queimada em São Paulo em 2014 só foi possível porque houve um acordo entre os usineiros e o Governo Estadual.
 
Atualmente, só em São Paulo, 200 mil trabalhadores vivem do corte da cana. Na safra passada, as máquinas já colheram mais de 80% da produção paulista. Por isso, para manter o serviço na área é preciso qualificação profissional. "A mão de obra, ela vai migrar. Este braçal que está na colheita da cana queimada, ele vai entrar para um trator, em uma colheitadeira com ar condicionado, então vai dar qualidade de vida para ele", declara Neri Geller, secretário nacional de Políticas Agrícolas do Ministério da Agricultura.
 
 
Requalificação dos trabalhadores
 
O desafio de requalificar tantos trabalhadores é muito grande. Os que conseguiram uma atividade nova recomeçaram a vida.
 
Cortador de cana, Ivan fez o curso de operador de colheitadeira. "A minha expectativa é de eu pegar esse diploma e a empresa que a gente trabalha, ou outras empresas também, dê uma chance para a gente, a expectativa é essa", ressalta Ivan Batista dos Santos, trabalhador rural.
 
Com qualificação, o ex-boia-fria Edimir chegou a gerente agrícola. "Eu sempre aconselho que não deixe os seus estudos e que também não deixe de sonhar", orienta Edimir Francisco dos Santos, gerente agrícola
 
 
Mecanização dos canaviais
 
O Jornal Nacional ouviu o representante da Federação da Agricultura do estado de São Paulo. Ele vê a mecanização dos canaviais como um problema social grave.
 
"Você praticamente expulsa esse contingente, só no estado de São Paulo são 200 mil, talvez no país sejam 470 mil ou 480 mil, pessoas que trabalharam a vida inteira em uma atividade e, de repente, a atividade parou, acabou", declara Maurício Lima Verde, da Federação da Agricultura - SP.
 
 
Situação em outros estados
 
Esta é a situação em São Paulo. Nos outros estados, a mecanização das colheitas, e o fim das queimadas, devem ocorrer gradativamente - até o ano de 2020. Essa prática de queimar a lavoura é realizada, entre outros motivos, porque a folha da cana é muito afiada, e pode cortar os trabalhadores quando a colheita é manual.
 
Para assistir a matéria completa divulgada pelo Jornal Nacional da Rede Globo de ontem (6), clique aqui.