É impossível não se contagiar com a energia positiva do superintendente comercial da Copercana, Frederico José Dalmaso, quando se fala da 19ª edição da feira de negócios que terá seu pontapé inicial, de maneira virtual, no dia 15 de junho, e no modo presencial dia 26, com encerramento no dia 30 do mês.
Sim, a conjuntura formada por perspectivas positivas de preço da cana, clima espetacular e regularização (aos trancos e barrancos) da oferta de fertilizantes e defensivos, faz parte da geração dessa energia, mas há algo a mais, pulsante, que não se identifica ao certo de onde vem, mas traz consigo uma motivação que torna o ambiente calmo e tranquilo mesmo em meio a um furacão geopolítico que o mundo vive.
Talvez pela maturidade da Copercana já ter vivido tantas coisas ao longo dos seus 60 anos dentro da cana-de-açúcar, sua especialidade, que num passe de mágica, as trevas do horizonte são encobertas pelos carreadores limpos e fechados por paredões de cana.
Claro que essa energia mágica pode acabar e a tormenta voltar a nos atingir, como fez nos últimos três anos, por isso o produtor não pode perder as melhores oportunidades, muito melhores quando a conjuntura é positiva.
Revista Canavieiros: A grande preocupação da feira passada era quanto a oferta e preços dos adubos mediante à crise gerada pela guerra entre Rússia e Ucrânia, qual foi a postura da Copercana perante aquela conjuntura?
Frederico Dalmaso: No ano passado fizemos uso de nossa experiência e adotamos uma postura mais conservadora, sem fazer estoque, isso porque concluímos que aquele preço de adubo não se sustentaria, ele chegou a custar R$ 7,5 mil a tonelada, hoje está na casa dos R$ 3 mil.
Assim, pela confiança que a diretoria depositou na gestão do Departamento de Insumos, nós atravessamos mais essa turbulência sem apresentar problemas. Sabemos que outras empresas que montaram estoques a preços valorizados numa postura especulativa achando que a oferta do produto iria ficar mais escassa do que já estava, realizam vendas hoje com prejuízo médio de R$ 3 mil, em estoques de 200 mil toneladas.
Nossa postura foi de comprar apenas o que vendíamos, ou seja, somente a quantidade que o produtor-cooperado estava disposto a pagar perante aqueles valores.
Revista Canavieiros: Mas isso afetou o desempenho de vendas?
Dalmaso: Sim, ano passado o volume em quilos/litros vendidos foi menor se comparado com 2021, mas foi algo consciente, chegamos à conclusão que era melhor vender menos ao correr o risco de tomar um grande prejuízo no caso de queda de preço ou ficar com estoque parado em caso de volta da oferta.
Por outro lado, é preciso ressaltar que, mesmo assim, em faturamento, nós crescemos. Quanto à queda no volume comercializado, também houve um segundo fator muito determinante, devido à pandemia, em 2021, com medo de um cenário de falta, pois não se sabia até quando aquela crise iria durar, os produtores montaram estoques longos, então boa parte do que foi utilizado em 2022 foi adquirida um ano antes.
Revista Canavieiros: E para este ano, qual o cenário?
Dalmaso: Nós entramos em 2023 com o estoque dos produtores baixo, com preços de momento bons, e ainda há uma demanda de compras represada em decorrência do alongamento do período chuvoso. Com isso muitos tratos culturais foram postergados, tanto que em abril já tivemos um resultado em faturamento 20% maior em relação ao ano passado.
Se considerar que o valor está menor e se faturou mais, a conclusão lógica é que o volume teve um crescimento ainda maior.Então, na época do Agronegócios Copercana, segunda quinzena de junho, vai ser ideal para atualização de estoque e investimento em tecnologia.
Revista Canavieiros: Como você projeta o preço da cana para a safra 23/24?
Dalmaso: Correm especulações que o preço da cana para a safra que se iniciou, pode chegar na casa de R$ 180,00 a tonelada, isso já é um forte indício para a grande maioria dos produtores focar no ganho de produtividade, seria uma loucura não investir com um preço desses, sem contar a tendência climática bastante positiva.
Considerando que tanto o fornecedor de cana, como a usina deverão ter um ano bastante positivo no quesito remuneração, eles não vão perder um evento que é balizador de preços do mercado como o Agronegócios Copercana para se expor ao risco de deixar de aplicar uma tecnologia em sua lavoura e com isso desperdiçar a oportunidade de aumentar o faturamento da sua operação.
Como nós somos uma cooperativa especialista em cana, temos ao nosso lado as principais marcas da cultura, nossos RTV têm grande experiência, conseguimos alinhar as tecnologias ideais para cada perfil de produtor.
Resumindo: deixar essa oportunidade conjuntural passar, exceto aconteça algo muito fora da curva, poderá ficar muito caro lá na frente, pois todos sabemos que a atividade agrícola oscila bastante e os bons anos servem para criar casca para suportar as épocas ruins.
Revista Canavieiros: O mercado de produção de defensivos superou a pandemia?
Dalmaso: Eu acredito que sim, tome como exemplo o Glifosato, que em alguns lugares chegou a ser vendido acima dos R$ 100,00, hoje o preço médio dele está na casa dos R$30 e não é um preço firme, pois pode cair mais um pouco.
As moléculas mais nobres acredito que não devam ter seus preços muito mais baixos dos que estão sendo praticados hoje, mas as genéricas, ainda tem espaço para cair.
Revista Canavieiros: Como está a expectativa dos parceiros fornecedores de insumos que estarão no Agronegócios Copercana?
Dalmaso: Eles estão muito ansiosos para este ano, primeiro pela importância da feira que serve de tendência de como está o mercado, o que nos honra muito e foi conquistado com um trabalho pautado na seriedade e na construção de uma credibilidade ímpar.
Não escondemos para ninguém que para vender bem na feira é preciso se esforçar, entrar com preços realmente diferenciados, em 19 anos nunca privilegiamos parceiros mais próximos ou distantes, aqueles que vieram com mais vontade de vender, tiveram mais coragem, ousadia, tiveram desempenhos melhores ao final dos antigos quatro e hoje quinze dias de evento.
Novamente, não acredito que o agricultor virá para formar grandes estoques como aconteceu em 2021, mas ele, percebendo que determinada ferramenta está num valor diferenciado, com certeza acaba comprando um pouco a mais para utilizar lá na frente.
Revista Canavieiros: Se colocando no lugar de um cooperado, quanto compraria na feira deste ano?
Dalmaso: Na minha visão o produtor poderá comprar pelo menos metade da sua demanda ao longo de uma safra sem erro, lógico que depende da realidade de cada um. O importante é ele evitar se expor em demasia aos juros altos e nem ficar com o estoque tão baixo que se vier a acontecer uma crise de abastecimento repentina, pois sabemos que o ritmo de produção industrial não é o mesmo que em tempos de pré-pandemia, ele tenha uma reserva para não prejudicar sua produtividade.
Revista Canavieiros: Neste cenário pode-se concluir que a tormenta passou e em 2023 navegamos num mar tranquilo?
Dalmaso: Na agricultura não existe tranquilidade, ainda mais pensando num mercado dinâmico como de insumos, todo cuidado é pouco.
Hoje, como ponto de atenção destaco a postura da indústria em comprar volumes menores de matéria-prima, o que significa que estão num ritmo de produção menos acelerado, nada que prejudique o fornecimento num curto prazo, mas que dá pouca folga em caso de uma crise global ou nacional mais aguda.
Outra questão de alerta é a dos juros, que na casa dos dois dígitos vai inviabilizar para a feira as compras de manejos que serão realizadas a médio e longo prazo, acredito que a postura do produtor será muito a de comprar, usar e pagar, à vista ou com um prazo curto.
Agora se ele comprar e ficar três meses sem usar o produto, pagando juros nesse patamar, o benefício do preço da feira acaba sumindo. Assim, acredito que essa edição deve se concentrar em ferramentas destinadas para tratos de soqueira.
Revista Canavieiros: Gostaria que você deixasse uma mensagem final aos produtores das regiões de Santa Rita do Passa Quatro e Valparaíso que terão a primeira feira com a presença de um RTV exclusivo.
Dalmaso: Em Santa Rita do Passa Quatro contratamos a Isabela Macca de Franceschi, que conhece muito bem o perfil dos agricultores da região e já está trazendo resultados positivos, mesmo com muito pouco tempo de trabalho.
Eu aproveito para pedir desculpas aos produtores de lá, lembrando que ela também atenderá Santa Rosa de Viterbo, pois relutei em contratar um profissional, até que encontrasse a pessoa certa, porque é ela que vai carregar o nome da cooperativa para a região, quem vai liderar os negócios será ela.
Então, na feira, eu espero que o volume de negócios da região deva crescer bem, pois se lembrarmos que o evento começa de maneira virtual no dia 15 e depois, a partir do dia 26, no Centro de Eventos da Copercana, os produtores terão pela primeira vez um RTV exclusivo todo esse tempo.
Em Valparaíso, o José Antônio Pereira, mais conhecido como Pereba, é um profissional muito bom da região. Eu não ia montar uma filial lá apenas por montar, estamos indo pois conseguimos
agregar ao nosso time um RTV muito diferenciado, que conheço há muitos anos. Quando surgiu a oportunidade em decorrência do fato dele ter saído da empresa que atuava, tive a certeza que com ele seria possível avançarmos para aquela região.
Já achamos um ponto para instalarmos um centro de distribuição, acredito que no máximo em dois meses tudo estará pronto, mas quero ressaltar que para o Agronegócios Copercana, os cooperados, só de novos ele conseguiu trazer mais de 40, estão convidados a não apenas participar, mas conhecer todas as oportunidades que muitos deles nunca tiveram a chance de ver.
Eu estou muito motivado com esse crescimento, fui conhecer Valparaíso e senti que se trata de uma cidade que se desenvolve junto com o setor sucroenergético, com investimentos em tecnologia das usinas da região, então estamos no lugar certo, na hora certa e, principalmente, com o profissional certo.
Sangue novo, motivação de seis décadas
Departamento de Insumos contrata novos técnicos para manter o processo de crescimento e melhorias contínuas
A Copercana é referência no segmento de fornecimento de insumos agrícolas para produtores de cana-de-açúcar e esse grau evoluído vem de um trabalho desenvolvido há décadas baseado na aproximação com fornecedores capazes de entregar as melhores tecnologias e ao mesmo tempo conseguir atender às necessidades específicas do seu corpo de cooperados.
Porém, assim como todo o agronegócio nacional, esse é um elo da cadeia que não pode parar no tempo, exigindo que estejam ativas ações visando o crescimento e as melhorias contínuas.
Em seu planejamento para 2023, o Departamento de Insumos da Copercana deu um importante passo no sentido de renovação e ampliação da sua força de atendimento ao cooperado trazendo para o seu time cinco novos profissionais.
“Sempre trabalhei com a ideia de que cada RTV (representante técnico de venda) carrega o nome da Copercana em sua área de atuação e com isso conseguimos trazer a confiança dos produtores, pois eles conhecem a fundo a pessoa que vai auxiliá-los. Não é fácil e muito menos rápido trazer ou formar profissionais com esse perfil, mas estou satisfeito por ter encontrado esse pessoal que
agregará ainda mais valor ao nosso time”, disse o superintende comercial da Copercana, Frederico Dalmaso.
Preparado para a missão
Quando Dalmaso fala em tempo para encontrar o profissional certo, o que dificilmente acontece apenas num processo seletivo padrão, se encaixa perfeitamente com a trajetória do engenheiro-agrônomo Guilherme Tonielo Barbosa, que em primeiro lugar traz em sua personalidade um talento primordial para a função, o de se relacionar com as pessoas.
“Quando entrei em Machado, pela primeira vez, achei que não aguentaria ficar uma semana. Mal sabia eu que esse lugar era repleto de pessoas incríveis que teria o prazer de conviver”, disse ele na ocasião em que foi orador da turma na sua formatura pelo Instituto Federal do Sul de Minas – Campus Machado.
Assim que se formou, em 2019, foi contratado como AT (atendimento técnico) de uma importante parceira de insumos da Copercana para, junto com o RTV, trabalhar com a conta da cooperativa, mesma função desempenhada em seu segundo emprego, numa outra tradicional fornecedora.
“Ao longo destes quatro anos de caminhada profissional Sangue novo, motivação de seis décadas 44 Revista Canavieiros consegui desenvolver três habilidades que considero fundamentais para a função que vou trabalhar na Copercana. A primeira foi o estabelecimento de um relacionamento com grande parte dos cooperados-produtores da região, pois corria as áreas montando campos de teste. O segundo ponto é quanto ao conhecimento dos portfólios de produtos perante a necessidade do nosso público, não apenas das empresas que trabalhei, mas também das que eram concorrentes
na época. Por fim, o relacionamento próximo com o pessoal interno dos insumos, o que me proporcionou um pouco de conhecimento de como funciona a forma de trabalho”, explicou Barbosa.
Há ainda um quarto elemento destacado pelo jovem profissional que demonstra todo o seu comprometimento com o novo desafio: “Tenho muita admiração pela história que meu avô construiu dentro da cooperativa e esse legado me motiva ainda mais para dar o meu melhor”.
Novos caminhos
Quando dois lados fortes se acertam para trilhar um novo caminho dificilmente eles não vão chegar até a prosperidade. Como vai acabar a história da Copercana rumo ao oeste canavieiro paulista ninguém tem uma bola de cristal para prever, porém as tendências já construídas nesses meses de caminhada são as melhores possíveis.
Já começando pelo fato dela não ter ido para a empreitada sozinha, sem conhecer o terreno, pelo contrário, trouxe um profissional com 25 anos de experiência na área comercial de insumos em cooperativas com negócios em cana na região como seu principal desbravador.
Antônio Pereira Júnior, mais conhecido como Pereba, é filho de produtores rurais de Valparaíso-SP que aos 38 anos de idade precisou se reinventar devido à operação da família ter sido
atingida por graves problemas financeiros. Foi para área comercial, construiu carreira, virou gerente de uma área de abrangência que reuniu as regiões de Araçatuba, Presidente Prudente e Jales (toda a faixa oeste do estado de São Paulo) e os canaviais do Mato Grosso do Sul e agora encara o terceiro grande desafio profissional de sua carreira ao lado da Copercana.
“Conheci o Fred (Frederico Dalmaso) na faculdade e sempre conversamos sobre mercado. Quando soube que a Copercana queria expandir sua área de atuação foi uma oportunidade que procurava para encarar um novo desafio na minha carreira. Tinha uma noção do seu tamanho, mas depois que entrei, vendo a mistura de agressividade, seriedade com um modo simples, fácil de acessar as pessoas, de trabalhar, foi um reforço às perspectivas de que nossas metas serão alcançadas”, disse Pereba.
Como numa cooperativa ninguém faz nada sozinho, ele já trouxe um assistente também com grande conhecimento e experiência (14 anos) no ramo, focado nos trâmites administrativos e suporte aos produtores: “ O Lucas (Fernando de Oliveira) será meu braço direito e esquerdo, ele é um profissional raro que conhece o perfil de cada produtor nos detalhes, o que agiliza desde os processos de cadastro, que vamos ter muitos nesse momento, como também responde a cotações e faz o primeiro atendimento. A vinda dele vai permitir que eu fique mais no campo”, completou Pereba.
Por fim, está em processo de adequação e instalação um Centro de Distribuição de insumos em Valparaíso, cereja num bolo que está satisfazendo muito os produtores da região: “Eu acho superpositiva a vinda da Copercana pra cá, a competitividade é importantíssima para que você consiga equilibrar os custos de produção, e ela é uma cooperativa grande, especialista em cana-de-açúcar. Faz tempo que queríamos sua vinda para a região e considero que teve uma visão importante em contratar quem conhece o negócio e, sobretudo, as pessoas. Não duvido que com a motivação deles o trabalho será muito forte, trazendo um crescimento grande num curto espaço de tempo”, disse o produtor e “já” cooperado, Antônio Soares Neto.
Realização de dois sonhos
Imagine um canavicultor num município onde o único fornecedor de defensivos e fertilizante não tem um agrônomo dedicado todo o tempo, de forma que para compras emergenciais seja necessário se deslocar para cidades vizinhas.
Esse mesmo produtor tem a felicidade de sua filha decidir fazer a faculdade de agronomia. Ela se forma, inicia sua carreira e pouco tempo depois surge a oportunidade de se tornar a responsável técnica pela filial da cooperativa, que é a única fornecedora de insumos da cidade.
Essa história é verídica e aconteceu com o produtor-cooperado, Thiago Samogin de Franceschi, que não consegue disfarçar a alegria de ter um RTV na filial da Copercana de seu município, Santa Rita do Passa Quatro, e ainda ver a cadeira sendo ocupada por sua filha, Isabela Macca de Franceschi.
“Um agrônomo para a nossa filial era um pedido antigo, porque é a única filial com insumos disponíveis no nosso município e o processo de compra demorava, pois precisava vir um profissional de outra cidade. Agora, se você está na propriedade e acaba o produto, conseguimos retirar aqui ou até mesmo a agrônoma nos leva até a propriedade. Além disso, ver que essa profissional é a minha filha, que logo no começo da carreira ganhou uma oportunidade deste tamanho, é uma felicidade dupla”, disse Thiago.
E com certeza o grau de alegria do pai é triplo, tendo em vista que ela é a primeira mulher do time de RTVs dos insumos da Copercana e se enquadrou no rigoroso perfil traçado pelo superintende comercial, Frederico Dalmaso: “Eu aproveito para pedir desculpas aos produtores de Santa Rita, pois relutei em contratar um profissional, até que encontrasse a pessoa certa, porque é ela quem vai carregar o nome da cooperativa para a região, quem vai liderar os negócios”, disse em entrevista também publicada nesta edição. Considerando o período de espera dá para mensurar a expectativa e responsabilidade que há sobre ela.
Porém, pelo menos os relatos iniciais dos produtores locais mostram que apoio não vai faltar, e ele não virá apenas da cana: “Com ela aqui vamos ter um suporte técnico rápido para a solução dos problemas mais urgentes”, disse o fruticultor Marco Antonio Tozetto Barbuio. “Eu estava sofrendo com o mato alto no meu canavial e a Isabela já me passou um produto que resolveu o problema”, conta o produtor de leite, que planta cana para silagem, Alcédio Villa. “Agora temos onde recorrer sem precisar sair da cidade”, disse a produtora Denilze Ferronato. “É muito importante porque o agrônomo sabe indicar o produto certo com a dosagem correta”, comentou o produtor de grãos Antônio Pavani. “Como tenho canaviais como vizinho, ela vai saber me orientar o que fazer em caso de pragas e mato”, relatou o pecuarista, Thomaz Wassall. “Antes, nós vínhamos aqui e ficávamos perdidos sobre qual produto tínhamos que levar”, disse a produtora de hortaliças, Maria José Boarato Moreto.
Os relatos mostram que o tamanho do desafio, no sentido de enfrentar uma região de produção diversificada, que Isabela terá pela frente, o que não a assusta: “Sou filha de produtores de Santa Rita, tanto do lado de pai como da minha mãe, muitos dos fornecedores de cana me conhecem desde criança, a falta de um profissional técnico com o passar do tempo fez com que eles se afastassem, pois era necessário uma pessoa rodando, visitando as áreas, conversando, de forma que o agricultor sentisse a presença de alguém próximo, interessado em entender suas necessidades.
Dessa forma minha primeira meta é me aproximar, conhecer a necessidade particular de cada um e com isso levar as melhores soluções. Outro objetivo é conseguir atender a grande quantidade de produtores pequenos que plantam cana e milho para silagem, fruticultores ou produtores de horta que há nesta região.
Se conseguir cumprir com esses dois objetivos, estarei muito realizada não apenas profissionalmente, mas também pessoalmente, porque tenho como propósito trazer para o setor rural de Santa Rita o aconchego de se sentir em casa dentro da cooperativa”, disse Isabela.
Operação de resgate
Outro jovem que vai utilizar seu conhecimento no meio rural para trazer cooperados que estão distantes é o agrônomo José Roberto Ferracini, que assume o posto de RTV em Santa Cruz das Palmeiras.
“Desde que cheguei percebi que muitos produtores de cana representativos da região, que demandam por tecnologias de insumos, soluções logísticas e atendimento e são cooperados da Copercana, estão afastados. Inclusive tive a oportunidade de encontrar alguns comprando aqui na loja de ferragens e que nem cotação mandam mais. Assim, minha missão é bastante clara, não digo fácil porque a concorrência hoje é muito alta, mas tendo uma cooperativa do tamanho e especialista me dando suporte, não tenho dúvidas que vou conseguir trazer esse pessoal de volta”, comenta Ferracini.
Ferracini também destaca a ausência de representantes dos fornecedores quando assumiu o posto: “ninguém mais do setor de defensivos e fertilizantes vem nos procurar, também estou trabalhando
para os representantes voltarem a frequentar a Copercana, realizarmos eventos juntos, pois acredito que o resultado vem com a participação de todos”, completou o agrônomo.
Mais uma filha da terra
A emissão dos receituários agronômicos do centro de distribuição de Sertãozinho também está de cara nova, pois no lugar da agrônoma Raíssa Magro, que vem de uma linhagem de grandes produtores de cana de Sertãozinho, e dedicou onze anos de sua vida profissional à cooperativa, assume a também agrônoma Gabriela Bachega, outra filha da terra e que tem em seu DNA a sacarose cultivada há gerações por sua família.
Cada um com seu sonho, mas todos com o objetivo em comum
Seja o legado que o Guilherme traz como responsabilidade, o tamanho do desafio encarado por um profissional já consagrado do nível do Pereba, a autoexigência em acolher a todos da Isabela ou a vontade de reconstrução do Zé Roberto, não importa o motivo, todos têm um só objetivo, da mesma forma que os mais experientes como o Madeira, Zé Mário e Toniolo também mantêm vivos há mais de quatro décadas. Todos precisam manter acesa a motivação de cuidar de seus cooperados da melhor maneira possível.
E isso não é uma exigência do Seu Toninho, Fred, Chico Urenha, ou qualquer outro diretor. É uma imposição da Copercana, uma instituição que tem hoje vida própria no sentido de a cada dia exigir maior eficiência que o dia anterior, ainda mais se tratando do segmento de negócio, que é o seu primeiro dever estabelecido na reunião de sua fundação no dia 19 de maio de 1963, trabalhar para o desenvolvimento do canavial de seus produtores cooperados.
Tecnologias de ponta para mostrar e usar
Conjuntura positiva deve proporcionar muitas inovações às lavouras
"Na cerimônia de abertura da nossa última feira (Agronegócios Copercana), passou um filme na minha cabeça. Eu fui contratado para fazer os projetos de defensivos e não tínhamos nem computador, era máquina de escrever.
Como comparação qualquer produto que hoje compramos 300 mil litros com frequência, quando comprávamos 20 mil era uma negociação muito rara e tomávamos todos os cuidados.
Então, quando subi no palco e vi aquela feira de cima, com todos aqueles estandes, daquelas marcas fortes, eu pensei: - Meu Deus! Como cresceu e faz 42 anos que estou aqui fazendo parte de tudo isso”.
O relato acima, do diretor comercial agrícola da Copercana, Augusto Cesar Strini Paixão, expressa não apenas a realização do profissional, mas também o que significa o Agronegócios Copercana em termos de tornar disponível tecnologias aos produtores-cooperados que dificilmente eles teriam acesso, tanto pela disponibilidade como pela combinação de preço e prazo.
Isso porque para o evento há conjunção de forças que envolve cooperativa, fornecedores e instituições financeiras e de crédito, que abre caminho para a aquisição das ferramentas mais modernas.
Nesse sentido, os principais parceiros no segmento de defensivos já separam o que tem de melhor, considerando os lançamentos, perfil da safra e disponibilidade/preço. Para a edição deste ano, a Revista Canavieiros foi ouvir da indústria o que ela levará de bom, e tem muita coisa interessante, com perspectivas bem melhores em relação ao evento do ano passado.
Controle das gramíneas
A Bayer trará oportunidades especiais para o produtor que deseja controlar as gramíneas de seus canaviais com as duas principais ferramentas de seu portfólio. O Provence Total (Isoxaflutole 450 g/l com Indaziflan 150 g/l) é uma opção para trabalhar com grande residual na soca seca em pré-emergência tanto da invasora como da cultura numa mistura já pronta de fábrica. Para utilização com o mesmo alvo nos plantios mais tardios, quebra-lombo e bordaduras (em pré-emergência da daninha), quando se exige um residual maior, a recomendação é pelo Allion por conter uma dosagem maior (350 g/l a mais) do Indaziflan, molécula que possui meia vida superior a 150 dias.
Para quem procura o uso do Isoxaflutole na soca seca numa concentração maior, o que gera baixas doses e com flexibilidade de associação, a Ourofino levará para o evento o DistintoBR.
O Yamato (Piroxasulfona 500 g/l) é uma importante solução disponibilizada pela Ihara para utilização em pré-emergência (daninhas e culturas) na semiúmida, com destaque para áreas que entrarão em reforma e está programado o cultivo das culturas de rotação mais populares (soja e amendoim) isso pelo fato delas terem registro de uso para o produto.
A Syngenta levará para o Agronegócios Copercana toda a modernidade do Grover (S-Metolacloro 700 g/l com Hexazinona 70 g/l) isso por sua versatilidade de uso, podendo ser utilizado tanto na pré-emergência como na pós-inicial das plantas daninhas com forte residual. Outro destaque fica para o seu tipo de formulação, suspoemulsão, ideal para translocação na palha.
Amplo espectro de defesa contra as invasoras
Pelo segundo ano a FMC vai focar no Boral Full como a principal ferramenta de sua prateleira de herbicidas, o produto traz como ingredientes ativos a Sulfentrazona (265 g/l) com Tebutiurom (310 g/l) que lhe proporciona amplo espectro de atuação. Segundo a fornecedora, a bula mais variada para cana-de-açúcar, e versatilidade de uso, disponível em todas as fases do ano tanto na pré como na pós-emergência, fazendo dele uma boa ferramenta para ter no estoque.
Outra mistura industrial de controle de gramíneas e as principais folhas largas (merremia, mamona e mucuna) é o Ritmo (Piroxasulfona 81 g/l com Amicarbazona 419 g/l) da Ihara, que traz a tecnologia da molécula exclusiva desenvolvida pela empresa com foco nas gramíneas com toda amplitude de espectro e utilização da Amicarbazona numa formulação líquida que resulta numa rápida absorção e fácil manuseio.
Sphenophorus no alvo
O maior destaque da prateleira de inseticidas da Syngenta é o Engeo Pleno S (Tiametoxam e Lambda-Cialotrina) isso por trazer ao mercado a tecnologia Zeon em sua formulação que protege os ingredientes-ativos em microcápsulas fazendo com que elas fiquem suspensas na água, preservando assim as características de cada um, ou seja, desempenhando a função de choque (pegando o inseto adulto) e ao mesmo tempo deixando grande residual (controlando as larvas). Dessa maneira, somada a sua alta solubilidade, ele consegue ser versátil em diversas categorias de aplicação como no corte de soqueira, jato dirigido na base da planta,
sulco de plantio ou associado com vinhaça localizada.
Uma ferramenta bastante conhecida no mercado e que estará disponível na feira é o Regent Duo, produto fabricado pela BASF, mistura do Fipronil, que possui grande efeito residual, com uma concentração alta (120 g/l) da Alfa-Cipermetrina que promove forte efeito de choque, dinâmica que vem apresentando resultados interessantes quando aplicada na modalidade de corte de soqueira.
Sem deixar a Cigarrinha escapar
Recentemente a BASF colocou no mercado uma nova opção importante no controle da Cigarrinha, o Entigris, trazendo em sua composição uma molécula nova, o Dinotefuran, na maior concentração do mercado (140 g/kg) gerando assim a rotação de ingredientes ativos com grande residual, associado com a Alfa-cipermetrina, que tem o efeito de choque já conhecido dos piretroides da marca.
Já a UPL ofertará aos produtores cooperados o Sperto, uma ferramenta consagrada na briga contra o percevejo na soja que entra no paiol de armamento contra a cigarrinha com o diferencial de ter registro para aplicação aérea.
Um universo de soluções
Reconhecida no mercado de inseticidas canavieiros através da efetividade do Altacor no controle da broca, a FMC traz o Prêmio Star, que contém o mesmo princípio ativo (Clorantraniprole) acrescido de Bifentrina, o que proporciona amplo espectro de controle, alta potência inseticida e versatilidade de aplicação em todas as épocas do ano.
Para a soja, as fornecedoras destacaram duas ferramentas para controle da ferrugem: O Pontual da Ourofino e o Excalia Max da Sumitomo, que também não deixará o produtor carente de uma das maiores sensações quando o assunto é regulador de crescimento, o Progibb hoje se tornou uma referência principalmente para os produtores que buscam desenvolvimento de colmos.
Esses são apenas um microrrecorte do imenso portfólio de produtos que os 27 parceiros dos segmentos de defensivos e nutrição da Copercana disponibilizarão para o Agronegócios Copercana aos produtores investirem em suas lavouras, que deverão retribuir com bons negócios, pois mediante as chuvas de verão e primavera, acrescido dos bons preços, investir nos tratos é um grande negócio pensando na produtividade futura.