As plantas daninhas não perdoam. A cada ano que passa, elas voltam com mais força. É por isso que o mercado está constantemente apresentando novos produtos, novas pesquisas, experiências e técnicas de manejo. E, dadas as várias tecnologias e oportunidades de herbicidas consolidados para o manejo, saber avaliar tais soluções é muito importante.
Para manter profissionais do setor, produtores e consultores para combaterem as plantas daninhas que tanto tiram o sono de quem produz, o Grupo IDEA reuniu renomados palestrantes e representantes da indústria de defensivos agrícolas para a 22ª edição do Herbishow - Seminário sobre Controle de Plantas Daninhas na Cana-de-Açúcar.
O evento aconteceu entre os dias 24 e 25 de maio, no Centro de Eventos do Ribeirão Shopping, em Ribeirão Preto, e contou com palestras variadas, focando em procedimentos técnicos já consolidados; lançamentos de produtos e novas tecnologias que estão surgindo nas usinas para controlar espécies que têm trazido cada vez mais problemas, além de novos equipamentos e estratégias de combate às daninhas em cana-de-açúcar por meio do uso de drone e helicópteros.
As empresas BP Bunge, FMC, Bayer, Syngenta, UPL, Corteva, Ourofino, Sipcam Nichino, Ihara, Tecnomyl e Basf apresentaram seus portfólios de produtos e resultados através de conceituados consultores.
Entre as apresentações, o especialista do IAC em plantas daninhas e maturadores, Carlos Mathias Azania, proferiu importante palestra sobre os problemas causados pelo capim-camalote, uma espécie de planta daninha que, segundo ele, está se expandindo rapidamente e é muito agressiva, pois se multiplica por estolhos e sementes e afeta a produtividade da cana-de-açúcar.
Dependendo do grau de infestação, esta gramínea pode comprometer até 80% da lavoura, tanto na cana-planta como na cana-soca, reduzir a longevidade do canavial e dificultar as operações agrícolas, como os tratos culturais e a colheita mecanizada. A presença deste capim é um problema no canavial por causa do seu crescimento acelerado, as sementes são extremamente vigorosas, reprodutivas e com alto índice de germinação.
As inovações no manejo de plantas daninhas foi o tema abordado pelo prof. dr. da Unesp de Botucatu, Edivaldo Domingues Velini, que na ocasião destacou que ao falar em manejo de plantas daninhas não pode se esquecer que o principal método de controle é cultura, o segundo é a palha e o terceiro são os herbicidas. “É preciso trabalhar integrando esses três métodos”. Velini também ressaltou que “o controle de plantas daninhas não aumenta a produção, mas preserva a produção e a renda”.
O professor pontuou ainda que associar métodos de controle; minimizar interferência, trabalhar com seletividade, reduzir propágulos, dar segurança para o homem e meio ambiente, minimizar custos de controle, preservar a produção e aumentar a renda e sustentabilidade estão entre os principais objetivos do manejo de plantas daninhas. E enfatizou que a solução para os desafios da seletividade em cana é trabalhar basicamente com banco de informações. “Precisamos trabalhar minimizando as aplicações foliares e manuseio de banco de dados quando possível”.
Já as inovações tecnológicas no manejo de plantas daninhas foi o mote da apresentação do proprietário da Baldan Connected, Edison Baldan Júnior. De acordo com ele, a inovação tecnológica vai muito além da agricultura digital porque passa por pessoas e boas ideias.
Para Baldan, a aplicação híbrida é a mais eficiente solução no manejo de sementes grandes. Ele contextualizou ainda que a pré-emergência é a principal ferramenta no manejo e que os robôs são ferramentas complementares integrando uma solução completa fazendo mais com menos.
O profissional destacou também que a grama seda ainda é um grande problema, pois antes ela era mais centralizada e agora está se dispersando. “A grama seda cresce porque não se faz o que é preciso no momento certo. Para mim, o preparo convencional é a chave do sucesso de controle de plantas daninhas, principalmente de propágulos vegetativos”.
Nos últimos anos, o uso de helicóptero para aplicação de defensivos na cultura da cana-de-açúcar vem aumentando bastante. Isso devido a sua praticidade e eficiência, atingindo o alvo com maior precisão. O produtor rural e proprietário da RR Agrícola, Ricardo Delarco, contou como resolveu o problema de catação de cordas de viola e mucuna com uso de helicóptero. Na oportunidade ele apresentou os custos e rendimentos, os resultados do antes e do depois da aplicação de produtos e pontuou as vantagens da aplicação aérea com helicóptero que, segundo ele, são: o efeito down wash; a impulsão do vento das hélices em direção à cultura, ou vortex, menor deriva, maior quantidade de princípio ativo atingindo o canavial, melhor qualidade na distribuição do produto no canavial e o alto rendimento.