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Uma potência chamada agronegócio

08/01/2020 Agronegócio POR: Fernanda Clariano
Uma potência chamada agronegócio

Em meio à atual crise econômica, o agronegócio oferece otimismo para a produção do país

Até setembro de 2019 o setor faturou 72 bilhões de dólares com superávit de 62 bilhões. O Brasil colheu 240 milhões de toneladas de grãos na safra passada e a atual deverá chegar a 246 milhões, tendo a Ásia como o principal destino desses grãos.
A manutenção e sucesso da safra dependem de investimentos no agronegócio brasileiro, incluindo infraestrutura de estradas, portos e de todos os itens que compõem a logística de escoamento da produção. A tecnologia também é item essencial para o aprimoramento do trabalho no campo, seja no investimento de drones e robôs, ou na conectividade de maneira geral, mas é preciso avaliar e disponibilizar recursos para que todos tenham acesso à tecnologia de ponta.
Com o tema “Tecnologia para alimentar e preservar o planeta – o agronegócio se reinventa”, o Estadão, em parceria com a Corteva, promoveu no dia 13 de novembro o Summit Agronegócio Brasil 2019, reunindo os principais representantes do setor para discutir e analisar os caminhos em construção da agricultura nacional, bem como o que ainda precisa ser feito para que haja opções criativas e acessíveis a todos os brasileiros que querem empreender e aprimorar os seus negócios no Brasil afora.
Na abertura, o governador de São Paulo, João Doria, comentou que o agro é prioridade no Estado. “Oferecemos apoio integral na pesquisa e ciência - sem inovação e tecnologia não teremos um agro competitivo no Brasil”.
Já o secretário da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Gustavo Junqueira, destacou a importância da tecnologia para o agronegócio dar um novo salto de produtividade e qualidade e ressaltou que o uso crescente de tecnologias tem sido aliado da produtividade. “O agro é o setor da economia onde temos escala e podemos de fato nos dar a liberdade de inovar, de trazer ideias porque temos capacidade de aplicá-las no dia a dia. O Brasil tem uma extensão territorial enorme, um meio ambiente com recursos naturais e uma biodiversidade farta e, além de tudo isso, tem a coragem e a persistência do seu povo que está a todo tempo expandindo os horizontes da nossa produção”.

Exportações, blocos comerciais, e China – O que o mundo precisa e exige do agronegócio
O Brasil é um dos principais exportadores de commodities agrícolas e a tendência é de que a balança comercial do país seja cada vez mais favorável ao setor agropecuário. Ainda há, porém, muito espaço a ser conquistado, principalmente em produtos mais bem acabados. O primeiro painel do Estadão Summit Agro, moderado pelo jornalista Gustavo Porto, reuniu Daniel Hueber, Marcelo Martins, Marcos Sawaya Jank e Renato Lima Rasmussen, para discutirem o que o agro já conquistou e o que pode conquistar e como, além de parcerias por meio de blocos comerciais e um olhar crítico sobre a dependência da China.
De acordo com o consultor de agronegócio e diretor-geral da The Hueber Report, Dan Hueber, “os Estados Unidos e China precisam caminhar para um acordo”. Porém, para o professor sênior de agronegócio do Insper, Marcos Jank, enquanto isso não acontece, a guerra fiscal beneficia o Brasil, que aumentou consideravelmente suas exportações de soja para o gigante asiático no ano passado. “Não se trata de uma guerra comercial, mas de uma guerra por hegemonia”, disse. Para o diretor de Inteligência de Mercado da INTL FCStone, o Brasil precisa aproveitar este momento em que os chineses estão abertos a novas parcerias para conquistar espaço e promover mudanças de hábitos.

Conectividade no campo – Um salto para o tempo real
Máquinas agrícolas se sofisticam, a oferta de serviços hightech voltados à agropecuária se multiplica e operações no campo dependem cada vez mais de internet e localização via satélite. A conectividade deficiente, entretanto, ainda é um gargalo. Quais soluções vêm sendo desenvolvidas para o agronegócio? A falta de conectividade no campo é um gargalo, que impede os produtores de fazer uso de ferramentas já disponíveis, que facilitariam a tomada de decisão em tempo real.
Moderado pelo jornalista Gustavo Porto, o painel contou com a presença de Alexandre Dal Forno, Alex Santos, Leonardo Finizola e Renato Coutinho. Os painelistas ressaltaram a importância do ConectarAgro, iniciativa que reúne empresas dos setores de agro e telecomunicações como AGCO, Climate Field View, CNH Industrial, Jacto, Nokia, Solinftec, TIM e Trimble para promover uma solução tecnológica aberta e estimular a expansão do acesso à internet para o campo brasileiro.
“Há dois anos estamos ‘sujando os pés de barro’ no campo para chegar a uma solução de Telecom e percebemos que poderíamos contribuir e atender às necessidades do produtor e de quem mora no campo. Criamos a solução 4G no campo, que é multiplataformas, funciona na frequência de 700 MHz e atende não só a comunicação de máquinas, mas também de pessoas”, disse o head de Produtos Corporativos & IoT da Tim Brasil, Alexandre Dal Forno.
O diretor de Novos Negócios da Nokia, Leonardo Finizola, comentou sobre a futura chegada da internet 5G. “Inicialmente o foco será nas cidades e será um grande desafio, pois tem a questão de custos, de licenças – tem muita água para rolar ainda. Acredito que até 2025 vamos poder ver o 5G, no entanto, o agricultor não precisa se preocupar, não há nada que o 4G não consiga oferecer, temos tecnologia para qualquer necessidade do setor”.
Em relação à internet via satélite, os painelistas elucidaram que a tecnologia é fundamental para levar conectividade às regiões distantes.

Tecnologia 4.0 – Em plena revolução
O agronegócio vem despertando grande interesse de empresas e investidores ligados ao setor de tecnologia e as agtechs, fintechs, drones contribuem para o grande salto tecnológico que o campo vivencia atualmente. As máquinas geram informações do que os softwares de gestão oferecem, do que os drones são capazes de fazer com pulverização precisa ou do que o controle biológico pode oferecer ao manejo. Com alto nível de especialização e apresentando soluções eficazes para toda a cadeia produtiva de alimentos, as empresas de tecnologia terão relevância cada vez maior. As iniciativas que mais se destacam e como o mercado está crescendo foram assuntos discutidos no painel tecnologia 4.0.
Ao falar sobre a principal demanda do agro em relação à tecnologia do futuro, o gerente executivo da EsalqTec – Incubadora Tecnológica, afirmou “O agronegócio tem inúmeras demandas, mas eu acredito que não podemos viver numa agricultura 4.0 sem conectividade - isso que é uma demanda recorrente. Porém, temos grandes desafios com a questão de água, logística e redução de custos de alguns insumos”.
Já o vice-presidente da Corteva Agriscience, Jair Afonso Swarowsky, destacou que os maiores desafios da tecnologia 4.0 são a qualificação de mão de obra e a qualidade de dados além da conectividade, opinião compartilhada com o superintendente do Senar-MT e coordenador do Programa Agrihub, Otávio Celidônio.