Usinas da região já produzem 20% da energia que vem da cana

15/02/2016 Cana-de-Açúcar POR: Jornal A Cidade
Usinas da região de Ribeirão Preto vão gerar, em 2016, energia suficiente para abastecer cinco cidades do tamanho de Sertãozinho durante um ano.
Mas, esse volume poderia ser até cinco vezes maior se todo o potencial que existe nos 510 mil hectares de cana-de-açúcar da região fossem totalmente explorados.
Levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) mostra que 20% de toda energia gerada a partir da biomassa da cana no País sairá da região. Isso dentro do programa de certificação de bioeletricidade da instituição.
Das 50 unidades produtoras que possuem o Selo Energia Verde, oito são da Região Administrativa de Ribeirão e elas produzem 2 dos 10 Terawatts-hora.
“Esse projeto de certificação contribui para divulgarmos cada vez mais as vantagens desta fonte, que além de trazer segurança energética para o Brasil, evita a emissão de CO2”, disse Zilmar José de Souza gerente em Bioeletricidade da Unica.
Ainda segundo ele, só a região de Ribeirão deixará de emitir 705 mil toneladas de CO2 para a atmosfera neste ano.
“E isso pode ser ainda maior se houver investimento nas unidades e estabilidade nas regas de exportação de energia para a rede nacional”, explica Zilmar. Ainda segundo ele, em todo País, são 355 usinas do setor sucroalcooleiro e 177 vendem o excedente de energia elétrica para o mercado.
“Unidades novas já possuem em seu módulo de negócios a cogeração. E as unidades mais antigas precisam investir.”
Potencial
E além das usinas -o A Cidade tentou contato com três grupos que possuem unidades geradoras de energia na região com o Selo Verde da Unica, mas não teve retorno- o setor industrial também ganha com a expansão da cogeração de energia.
Para Paulo Roberto Gallo presidente do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise-Br), a geração e exportação de energia segue como um importante componente do mix das usinas, ao lado do etanol e do açúcar.
“No entanto, com a recente retomada dos preços do etanol e do açúcar, é necessária uma série de ajustes para que a energia elétrica venha a conseguir um papel mais destacado no segmento”.
São Paulo na rede elétrica
O programa São Paulo na Rede Elétrica, da Secretaria Estadual de Energia, é outro incentivo à ampliação do fornecimento de energia para a rede elétrica produzida a partir da queima da palha e do bagaço da cana-de-açúcar e outros insumos como cavaco de madeira. A Secretaria faz a interlocução de usinas com a concessionária da região para promover a ampliação do fornecimento de energia na rede. Em estudo, a secretaria mapeou as usinas existentes e identificou a produção, consumo e exportação de energia excedente para a rede elétrica. Das 166 usinas analisadas, 34 delas estão na região nordeste do Estado. Destas, dez foram selecionadas para um projeto piloto.
Selo destaca a energia renovável
Lançado em janeiro de 2015, o Selo Energia Verde, focado estritamente na geração sucroenergética, contempla usinas que exportam eletricidade para o Sistema Interligado Nacional (SIN) e também as que produzem apenas para o autoconsumo, desde que cumpram as diretrizes do Programa de Bioeletricidade. Além das usinas, o selo também certifica empresas consumidoras dessa energia limpa.
A iniciativa é da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) em cooperação com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e apoio da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel).
Entre as regras para a certificação estão a obrigação de que as unidades geradoras estejam adimplentes junto à CCEE, sejam associadas à Unica e participantes do Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético Paulista, ou declarem atender critérios semelhantes, caso localizadas fora do Estado de São Paulo. “O principal objetivo é incentivar o desenvolvimento de uma energia renovável e sustentável, que é a bioeletricidade da cana”, diz o gerente em Bioeletricidade da Unica, Zilmar José de Souza.
Energia da vinhaça
Um projeto para a produção e distribuição do biometano no Noroeste do estado de São Paulo foi lançado em agosto do ano passado durante a a 23ª edição da Fenasucro & Agrocana. A ideia é transformar em energia limpa um resíduo que, até então, servia apenas como fertilizante nos canaviais: a vinhaça, um caldo rico em fósforo e potássio, que sai da moagem da cana-de-açúcar. O protocolo de intenções assinado na feira irá viabilizar o início da venda de gás natural renovável na região Noroeste.
Energia para 4 milhões de casas
O gerente em bioeletricidade da Unica, Zilmar José de Souza, diz que cada hectare de cana produz, em média, energia suficiente para abastecer 8 casas durante um ano. Na Região Administrativa de Ribeirão são, segundo o Instituto de Economiab Agrícola, 510 mil hectares plantados, o suficiente para gerar energia para 4 milhões de casas durante um ano. Porém, neste ano, as unidades da região ligadas à Unica vão produzir energia para abastecer o equivalente a 825 mil residencias. Há, então, um potencial quase cinco vezes maior que pode ser explorado.
Análise>>>Solução precisa ser abrangente
Os investimentos para novas unidades geradoras de energia elétrica para exportação comercial são vultosos e têm um retorno relativamente longo. Dada à situação de aperto de caixa da grande maioria das usinas é fundamental que existam linhas específicas de crédito para o financiamento destes investimentos. Os empreendimentos novos de energia em geral começam a entregar o produto cinco anos após a contratação, o que implica em um período longo em que as unidades têm grandes despesas, antes de entrarem efetivamente em operação comercial – daí a necessidade de financiamento. De outro lado, ainda há uma limitação muito grande no teto dos preços negociáveis do MWh, que faz com que a rentabilidade do empreendimento seja pequena. Finalmente, há ainda o problema da falta de linhas de transmissão em localizações estratégicas. Como se observa, todas estas questões são complexas. Porém, se não houver uma solução que abranja todos estes aspectos, dificilmente haverá novos investimentos em bioeletricidade – o que é lamentável, já que, num futuro muito próximo, com a inevitável recuperação de nossa economia, o Brasil certamente terá necessidades energéticas além de nossa capacidade de geração.
Paulo Roberto Gallo, presidente do Ceise-Br
Confira as usinas da região de Ribeirão Preto com o selo Energia Verde
RAÍZEN - FILIAL BONFIM
VIRALCOOL PITANGUEIRAS
SÃO MARTINHO ENERGIA S.A.
NARDINI AGROINDUSTRIAL LTDA.
SÃO MARTINHO S.A.
PITANGUEIRAS AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA.
USINA SÃO FRANCISCO S.A.
USINA SANTO ANTONIO S.A.
As 8 usinas devem gerar para a rede elétrica nacional algo entre 1,5 e 2 Terawatt-hora durante 2016.
Isto é equivalente a:
- abastecer por um ano inteiro mais de 800 mil residências;
- a 5% do consumo energia total cidade de São Paulo capital (base 2014);
- a mais de 80% do consumo energia total de Ribeirão Preto (base 2014);
- a quase 5 vezes o consumo energia total de Sertãozinho (base 2014);
- a 4% da geração anual prevista para a usina Belo Monte;
- a evitar a emissão de mais de 700 mil tCO2e/ano.
Usinas da região de Ribeirão Preto vão gerar, em 2016, energia suficiente para abastecer cinco cidades do tamanho de Sertãozinho durante um ano.
Mas, esse volume poderia ser até cinco vezes maior se todo o potencial que existe nos 510 mil hectares de cana-de-açúcar da região fossem totalmente explorados.
Levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) mostra que 20% de toda energia gerada a partir da biomassa da cana no País sairá da região. Isso dentro do programa de certificação de bioeletricidade da instituição.
Das 50 unidades produtoras que possuem o Selo Energia Verde, oito são da Região Administrativa de Ribeirão e elas produzem 2 dos 10 Terawatts-hora.
“Esse projeto de certificação contribui para divulgarmos cada vez mais as vantagens desta fonte, que além de trazer segurança energética para o Brasil, evita a emissão de CO2”, disse Zilmar José de Souza gerente em Bioeletricidade da Unica.
Ainda segundo ele, só a região de Ribeirão deixará de emitir 705 mil toneladas de CO2 para a atmosfera neste ano.
“E isso pode ser ainda maior se houver investimento nas unidades e estabilidade nas regas de exportação de energia para a rede nacional”, explica Zilmar. Ainda segundo ele, em todo País, são 355 usinas do setor sucroalcooleiro e 177 vendem o excedente de energia elétrica para o mercado.
“Unidades novas já possuem em seu módulo de negócios a cogeração. E as unidades mais antigas precisam investir.”
Potencial
E além das usinas -o A Cidade tentou contato com três grupos que possuem unidades geradoras de energia na região com o Selo Verde da Unica, mas não teve retorno- o setor industrial também ganha com a expansão da cogeração de energia.
Para Paulo Roberto Gallo presidente do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise-Br), a geração e exportação de energia segue como um importante componente do mix das usinas, ao lado do etanol e do açúcar.
“No entanto, com a recente retomada dos preços do etanol e do açúcar, é necessária uma série de ajustes para que a energia elétrica venha a conseguir um papel mais destacado no segmento”.
São Paulo na rede elétrica
O programa São Paulo na Rede Elétrica, da Secretaria Estadual de Energia, é outro incentivo à ampliação do fornecimento de energia para a rede elétrica produzida a partir da queima da palha e do bagaço da cana-de-açúcar e outros insumos como cavaco de madeira. A Secretaria faz a interlocução de usinas com a concessionária da região para promover a ampliação do fornecimento de energia na rede. Em estudo, a secretaria mapeou as usinas existentes e identificou a produção, consumo e exportação de energia excedente para a rede elétrica. Das 166 usinas analisadas, 34 delas estão na região nordeste do Estado. Destas, dez foram selecionadas para um projeto piloto.
Selo destaca a energia renovável
Lançado em janeiro de 2015, o Selo Energia Verde, focado estritamente na geração sucroenergética, contempla usinas que exportam eletricidade para o Sistema Interligado Nacional (SIN) e também as que produzem apenas para o autoconsumo, desde que cumpram as diretrizes do Programa de Bioeletricidade. Além das usinas, o selo também certifica empresas consumidoras dessa energia limpa.
A iniciativa é da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) em cooperação com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e apoio da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel).
Entre as regras para a certificação estão a obrigação de que as unidades geradoras estejam adimplentes junto à CCEE, sejam associadas à Unica e participantes do Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético Paulista, ou declarem atender critérios semelhantes, caso localizadas fora do Estado de São Paulo. “O principal objetivo é incentivar o desenvolvimento de uma energia renovável e sustentável, que é a bioeletricidade da cana”, diz o gerente em Bioeletricidade da Unica, Zilmar José de Souza.
Energia da vinhaça
Um projeto para a produção e distribuição do biometano no Noroeste do estado de São Paulo foi lançado em agosto do ano passado durante a a 23ª edição da Fenasucro & Agrocana. A ideia é transformar em energia limpa um resíduo que, até então, servia apenas como fertilizante nos canaviais: a vinhaça, um caldo rico em fósforo e potássio, que sai da moagem da cana-de-açúcar. O protocolo de intenções assinado na feira irá viabilizar o início da venda de gás natural renovável na região Noroeste.
Energia para 4 milhões de casas
O gerente em bioeletricidade da Unica, Zilmar José de Souza, diz que cada hectare de cana produz, em média, energia suficiente para abastecer 8 casas durante um ano. Na Região Administrativa de Ribeirão são, segundo o Instituto de Economiab Agrícola, 510 mil hectares plantados, o suficiente para gerar energia para 4 milhões de casas durante um ano. Porém, neste ano, as unidades da região ligadas à Unica vão produzir energia para abastecer o equivalente a 825 mil residencias. Há, então, um potencial quase cinco vezes maior que pode ser explorado.
Análise>>>Solução precisa ser abrangente
Os investimentos para novas unidades geradoras de energia elétrica para exportação comercial são vultosos e têm um retorno relativamente longo. Dada à situação de aperto de caixa da grande maioria das usinas é fundamental que existam linhas específicas de crédito para o financiamento destes investimentos. Os empreendimentos novos de energia em geral começam a entregar o produto cinco anos após a contratação, o que implica em um período longo em que as unidades têm grandes despesas, antes de entrarem efetivamente em operação comercial – daí a necessidade de financiamento. De outro lado, ainda há uma limitação muito grande no teto dos preços negociáveis do MWh, que faz com que a rentabilidade do empreendimento seja pequena. Finalmente, há ainda o problema da falta de linhas de transmissão em localizações estratégicas. Como se observa, todas estas questões são complexas. Porém, se não houver uma solução que abranja todos estes aspectos, dificilmente haverá novos investimentos em bioeletricidade – o que é lamentável, já que, num futuro muito próximo, com a inevitável recuperação de nossa economia, o Brasil certamente terá necessidades energéticas além de nossa capacidade de geração.
Paulo Roberto Gallo, presidente do Ceise-Br
Confira as usinas da região de Ribeirão Preto com o selo Energia Verde
RAÍZEN - FILIAL BONFIM
VIRALCOOL PITANGUEIRAS
SÃO MARTINHO ENERGIA S.A.
NARDINI AGROINDUSTRIAL LTDA.
SÃO MARTINHO S.A.
PITANGUEIRAS AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA.
USINA SÃO FRANCISCO S.A.
USINA SANTO ANTONIO S.A.
As 8 usinas devem gerar para a rede elétrica nacional algo entre 1,5 e 2 Terawatt-hora durante 2016.
Isto é equivalente a:
- abastecer por um ano inteiro mais de 800 mil residências;
- a 5% do consumo energia total cidade de São Paulo capital (base 2014);
- a mais de 80% do consumo energia total de Ribeirão Preto (base 2014);
- a quase 5 vezes o consumo energia total de Sertãozinho (base 2014);
- a 4% da geração anual prevista para a usina Belo Monte;
- a evitar a emissão de mais de 700 mil tCO2e/ano.