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Usinas de cana se instalam na região

11/10/2013 Cana-de-Açúcar POR: O Estado de S. Paulo
A indústria da cana-de-açúcar continua em expansão na Região Centro-Oeste, apesar da crise que atinge o setor. A previsão para a safra de 2013/2014 é de crescimento de 14% no volume de cana processada em Goiás e 10% no Mato Grosso do Sul. Mas poderia ser de 20%, não fosse a ocorrência de geada que prejudicou a produção da safra atual e da próxima safra.
O Centro-Oeste é hoje o segundo maior produtor brasileiro de cana e etanol, atrás apenas do Estado de São Paulo. Em 1999, era apenas o sexto.
A expansão num momento de aumento de custos de produção, baixa remuneração e indefinição política para o setor, ocorre porque, mesmo com a crise, as companhias continuam investindo na formação e manutenção dos canaviais e na instalação de novas unidades.
A Odebrecht Agroindustrial, por exemplo, anuncia investimentos de R$ 1 bilhão nas áreas agrícola e industrial para aumentar a produção. Ao mesmo tempo, a SJC Bionergia coloca em funcionamento uma usina de etanol, que segundo a companhia, será a mais moderna do País, num investimento de R$ 500 milhões, em Cachoeira Dourada (GO).
Com 13 mil funcionários e sete unidades industriais no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, a Odebrecht produz e comercializa etanol, açúcar e energia elétrica a partir do bagaço da cana. De acordo com o presidente da companhia, Luiz de Mendonça, o investimento de R$ 1 bilhão será usado no plantio de 100 mil hectares de cana-de-açúcar e para concluir a expansão da indústria.
A previsão é de que na próxima safra, de 2014/2015, a companhia tenha um crescimento 17,6% no volume de processamento de cana, passando de 25 milhões para 29,4 milhões de toneladas. Desse total, 21,1 milhões de toneladas serão moídas nas sete unidades da companhia no Centro-Oeste.
Na região, o incremento do volume de cana deverá ficar em 12,2%. A produção de etanol deve subir 20%, de 1,5 bilhão de litros na safra atual para 1,8 bilhão de litros na próxima safra. A produção de energia deverá aumentar 14% e a de açúcar 7% no mesmo período.
De acordo com Mendonça, a Odebrecht pretende atingir a capacidade de 40 milhões de toneladas de cana por safra - 31 milhões no Centro-Oeste - dentro de quatro anos.
Quando isso ocorrer, a companhia, que tem a colheita 100% mecanizada, estará produzindo 3 bilhões de litros de etanol, com os quais serão fabricadas 700 mil toneladas de açúcar e cogerados 3,1 mil gigawatts/hora (GWh) por safra.
Desde 2007, quando foi inaugurada, a companhia investiu mais de R$ 9 bilhões em instalação e compra de unidades industriais e no plantio de cana. A empresa começou a atuar no Centro-Oeste em 2008, mas o retorno dos investimentos só deve ocorrer, segundo Mendonça, em oito ou nove anos.
"Sabemos que o momento não é acolhedor, mas não podemos deixar o etanol passar. Precisamos fazer com que a indústria do etanol volte a ser pujante", diz Mendonça. Mas, para isso, segundo o presidente da Odebrecht Agroindustrial, o governo precisa estabelecer regras para o setor, cujo cenário ele considera complicado.
"O setor não tem uma política de longo prazo, falta um marco regulatório. Estamos esperando que seja estabelecido o papel do etanol na matriz energética do País e isso não ocorre e também não há uma política de preços para a energia", comenta. "O setor requer um investimento de alto capital. Estamos investindo porque temos uma visão de longo prazo e nosso desafio é manter esta nova fronteira de crescimento nesta região, que apresenta excelente logística, climatologia e tradição agrícola".
Usina
Com investimentos de R$ 500 milhões, a SJC Bionergia - joint venture formada pela Cargill e pelo grupo sucroenergético USJ - inaugurou no começo de outubro a usina Rio Dourado, instalada no município de Cachoeira Dourada (GO). Segundo Marcelo Andrade, diretor da unidade de negócios de açúcar e etanol da Cargill, a nova unidade é a mais moderna usina de etanol no Brasil e irá ajudar a SJC Bioenergia a ampliar sua presença no mercado sucroenergético, obtendo a escala necessária para o aumento de sua eficiência.
De acordo com Andrade, além da colheita 100% mecanizada, todos os processos produtivos da usina são automatizados e controlados 24 horas por dia por um centro de operações. Com isso, todas as etapas de produção industrial poderão ser acompanhadas e operadas em tempo real, permitindo ajustes necessários em curto prazo de tempo. "Com essa usina, a SJC Bioenergia consolida a estratégia do Grupo USJ, de criar um polo de desenvolvimento de projetos industriais com escala competitiva e potencial de crescimento", disse a presidente do Grupo USJ, Maria Carolina Fontanari.
A usina, que vai se dedicar exclusivamente à produção de etanol e energia, terá capacidade de produzir 220 milhões de litros de etanol por ano. A produção de etanol anidro, por exemplo, será feita por meio de um sofisticado sistema de desidratação via peneira molecular. Além disso, a usina vai cogerar 230 mil megawatts/hora (MWh) por ano, dos quais 150 mil MWh, excedentes, serão comercializados.
"O empreendimento traz desenvolvimento e trabalho para a região. Estamos concretizando a integração campo-indústria, que fortalecerá o município de Cachoeira Dourada. A chegada da cana-de-açúcar na região ocupou importante área de cultivo, trazendo assim grande desenvolvimento e mantendo a produção de outras culturas na região", comenta o diretor responsável pela SJC Bioenergia, Ingo Kalder.
Safra de cana. A previsão da Conab é de que a safra de cana na região Centro-Oeste cresça 10% em área plantada, de 1,5 milhão de hectares na safra 2012/2013 para 1,7 milhão na safra 2013/2014.
A produção de cana para processamento da indústria deve crescer 14%, de 106 milhões de toneladas para 121 milhões de toneladas no mesmo período. Desse total, Mato Grosso do Sul e Goiás vão produzir 105 milhões de toneladas na safra 2013/2014 ante aos 90 milhões de toneladas da safra de 2012/2013, um crescimento 17%. A produção de etanol na região será a segunda maior do País, com 7 bilhões de litros ao final dessa safra.
Atratividade
"Goiás vem batendo recordes de produção passando a ser o segundo maior processador de cana e produtor de etanol do País, ficando atrás apenas de São Paulo. Passamos o Paraná, o Nordeste e Minas Gerais, nas últimas safras", festeja o presidente do Sindicato das Indústrias de Fabricação de Açúcar e Etanol de Goiás (Sifaeg), André Luiz Baptista Lins Rocha.
Segundo ele, a qualidades das terras, planas e com preços atrativos; as boas condições climáticas, que garantem boa produtividade; e um programa de forte incentivo fiscal atraíram os investimentos. "Goiás tinha apenas 11 usinas na safra 1999/2000; hoje são 37", diz.
Nem mesmo a crise de 2008, que se propagou para os anos seguintes, afastou o crescimento. Na safra de 2009/2010, com 33 usinas, Goiás processou 40 milhões de toneladas de cana, subiu para 52,7 milhões na safra de 2012/13 e vai para 61,2 milhões de toneladas na safra 2013/2014.
"Temos expectativa de crescimento maior nas próximas safras com o uso de variedades de cana adaptadas para o cerrado, e as usinas que se instalaram nos últimos anos só agora estão entrando no pico de produção. A cana não afastou a diversidade de outras culturas agrícolas e ainda levou desenvolvimento ao campo, onde também houve um melhor desempenho das commodities. O resultado deste crescimento, a gente observa no interior do Estado, onde as condições de vida melhoraram, a renda foi mais distribuída e o IDH cresceu acima da média", completa.
Chico Siqueira